Teixeira contra-ataca



O presidente da CBF tem usado seus aliados políticos, na esfera esportiva e até fora dela, para atacar o governo Dilma Rousseff.

Escanteado por Dilma, Ricardo Teixeira quer mostrar força. Não por acaso jantou na semana passada com Lula e pediu para seu amigo Andrés Sanchez convidar o ex-presidente da República para acompanhar as obras no Fielzão e o clássico do Corinthians contra o Flamengo na semana que vem.

Em outra frente, conta com setores do PSDB, ligados ao seu também amigo Aécio Neves, senador por Minas Gerais, que começam a criticar a postura do governo diante da Copa de 2014, reclamando de atrasos em obras de infraestrutura, especialmente as aeroportuárias, e tirando o foco do dirigente. 

As denúncias de corrupção nos Ministérios dos Transportes, Turismo e agora também Esporte, envolvendo inclusive projetos do governo ligados ao Mundial, também têm sido usadas por aliados de Teixeira que querem mostrar que os problemas para organizar a Copa são imensos e que Dilma irá precisar de seu apoio e experiência para preparar o evento.

A estratégia, que inclui até o presidente da Fifa, Joseph Blatter, também objetiva esvaziar o movimento Fora Teixeira que ganhou as redes sociais, chegou timidamente às ruas e agora alcançou os estádios de futebol.

No sábado Blatter deu entrevista ao “Estadão” em que tratou com descaso e certa ironia a falta de popularidade de Teixeira no Brasil. Disse também que a abertura da Copa e não só a final deve ser no Rio e criticou publicamente Dilma Rousseff ao afirmar que era mais fácil trabalhar com Lula do que com ela.

Colocou lenha na fogueira para auxiliar o presidente da CBF. O recado: se depender da Fifa o jogo inaugural da Copa será no Maracanã e não no Fielzão, mas como quem “manda” é Teixeira, Blatter pode aceitar uma outra opção, como o Fielzão ou o Mineirão, que deve ganhar uma das semifinais da Copa em troca da abertura, que ficaria mesmo com São Paulo. O segundo recado: o governo tem que fazer sua parte e com Dilma não estaria fazendo.

A questão que o suíço não colocou é que o governo não fez sua parte na gestão Lula, sendo que o Brasil ganhou o direito de abrigar a Copa em 2007, quando era ele o presidente do Brasil.

Como de lá para cá quase nada foi realizado, a bomba caiu nas mãos da atual presidente, que terá de segurar o rojão. E que já avisou Lula que pretende seguir distante de Teixeira, apesar de ele ser presidente não só da CBF, mas também do Comitê Organizador Local da Copa, o COL.

A situação pode estar ruim, mas penso que quanto mais distante de Teixeira o governo ficar, melhor. Neste caso não se aplica aquela máxima do “ruim com ele, pior sem ele”, como pretende a CBF. Não, neste caso é melhor deixarmos esta máxima de lado. Bem distante, bem distante…



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