666 e o contexto



Sempre gostei do número 666. Dizem que é número da besta, sei não. 6 + 6 + 6 = 18. E 18 é um número bacana para o judaísmo, representa o “chai”, que significa vida.

Quando criança, lembro de minha avó me chamando de Brasinha, personagem de gibi que eu adorava e era um pequeno diabo. Há muito tempo o gibi e o personagem saíram de circulação. Pena. Acho que Gasparzinho, o fantasma, teve vida mais longa.

Inicio o post com essas recordações para falar de transgressões, erros, corrupção, religião, burocracia e sei lá mais o quê.

Tenho percebido que quando falamos da Copa e tratamos dos bastidores muitos reclamam do orçamento de estádios, da falta de infraestrutura, do trânsito caótico, dos dirigentes, dos políticos, do governo ou dos governos… E estão em seu direito.

Outros já dizem que a sociedade brasileira é que é corrupta e os dirigentes e políticos seriam apenas reflexo dela. Pode ser.

E há os que protestam justamente contra aqueles que reclamam de tudo, dizendo que estes se intitulam defensores da ética. Não chegam a dizer da moral e dos bons costumes, mas quase.

Todos temos defeitos e qualidades, acertamos e erramos, aprendemos _ou não_ com o passar do tempo. Também transgredimos, a transgressão faz parte da vida. E o que é certo ou errado, justo ou injusto, como tudo na vida, tem um grau de subjetividade que não pode ser desconsiderado. O que é certo pode não ser justo, assim como o que é justo pode não ser certo.

Por isso insisto que o contexto tem que ser analisado. Seja quando um juiz de futebol erra _é tão fácil xingá-lo ou enxergar uma conspiração contra seu time_, seja quando uma família luta para colocar um parente num leito de UTI quando o médico diz que não há lugar, quando um sujeito faz de tudo para renovar o passaporte às pressas e atropelar a burocracia porque tem urgência para ir ao exterior se despedir de alguém que está morrendo, seja quando uma mãe, sem dinheiro nenhum, entra num mercado para roubar manteiga para alimentar seus filhos.

Há casos e casos, situações e situações. Por isso é difícil ser juiz _imagino, pois nunca fui. Seja de futebol, handebol, basquete ou… de direito.

Nem sempre ele acerta, ainda mais se não analisar o contexto. E o contexto de uma mãe que rouba um produto ou outro no mercado porque seu filho está morrendo de fome é diferente do de dirigentes e políticos que usam dinheiro público à vontade, superfaturam obras, viajam de jatinhos ou helicópteros cedidos por prestadores de serviço do governo e por aí afora.

Da mesma forma que o “666” pode ser visto negativamente, no filme “A Profecia” estava lá na cabeça do garoto que era o filho do demônio, também pode ser visto positivamente, tudo depende do olhar do observador. Sobre os outros e sobre nós mesmos.

E se há muita coisa ruim acontecendo, basta abrir o jornal para ver as manchetes, há coisa boa ocorrendo também.

Uma delas é o seminário “Além da Adoção”, que acontece amanhã no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em SP. Pena que as inscrições já estejam esgotadas. Ops, pena não, tudo depende do olhar do observador, não? Bacana, então, sinal de que há um público interessado numa questão que estudo há algum tempo e é extremamente importante. A da adoção.

Haverá uma série de palestras e discussões com psicólogos, psicanalistas, assistentes socias, advogados, cuidadores, gestores, membros do Ministério Público e a participação da ONG Fazendo História.

A ideia é apresentar propostas para melhorar políticas públicas quando o assunto é adoção e incentivar uma participação maior da sociedade civil, pois não podemos depender apenas do governo. E no Brasil reclamamos muito do governo porque colocamos poder demais em suas mãos. E governo, pra mim, é sinal, entre outras coisas, de burocracia. Mas não só o governo.

Muitas vezes no mundo de hoje me sinto num livro de Kafka. “O Processo”, talvez.

Para quem gosta de uma boa leitura, aliás, fica aqui a dica desta obra do brilhante escritor nascido em Praga no século retrasado. Mas há um outro livro, muito mais recente, que mostra como a Justiça pode ser maluca. No Brasil ou em qualquer país. Trata-se de “Os Viúvos”, de Mario Prata, um romance policial que li no ano passado e achei muito interessante. Mostra os absurdos da vida contemporânea, a burocracia, que não é só estatal, repito, um livro kafkiano muito bem escrito por este mineiro criado em Lins, interior de SP, e que se “refugiou” em Floripa.

Como já escrevi demais, bom domingo a todos, bons clássicos, muita vida (6+6+6), João



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    MELHOR PODCAST DO FUTEBOL BRASILEIRO!
    NOSSO 1º PROGRAMA COM COMENTARIOS SOBRE A 18 RODADA DO BRASILEIRAO.
    PALPITES, HEROIS E VILOES DA RODADA, HUMOR E PAIXAO PELO FUTEBOL.
    CURTAM AI GALERAA!!!!

  • Barcelusa 2011

    Seu comentário reflete o jogo da Lusa ontem. Fui ao Canindé e saí com um gosto de meio bom, meio ruim. Perdemos dois pontos em casa, foda, mas poderia ter sido pior. O time foi muito mal no primeiro tempo, mas teve vontade no segundo e empatou por sorte no final. Quase perdemos. Saímos aplaudidos, mas empatar no Canindé com o Icasa não é AQUELA COISA. Tudo depende do ponto de vista do observador como você colocou, Janca

  • Fábio

    Janca, lamento que você goste do 666 porque segundo a tradição cristão (e a gente fala meia, meia, meia) este é o número da besta. Existem tantos números mais bonitos, você vai logo gostar do 6? O problema, para o cristão, só pra te explicar melhor, Janca, pois vejo que você não conhece bem o assunto, não é exatamente o 6. O 6 passa. O que não passa é o meia-meia-meia (666). Os três juntos é que são o problema. Conselho: fique com o 777.

    • janca

      Você deve estar brincando, mas vou responder como se você estivesse falando sério. Claro que já tinha ouvido falar que 666, gosto do 666, sim, é o número da besta, mas não sabia que era segundo a tradição cristã. Ou talvez até soubesse por conta do filme “A Profecia”. Enfim, por que trocaria o 666 pelo 777? Não vejo sentido. Sigo preferindo o 666 e não ligo pra tradição cristã. Acho que Jesus foi um ser fantástico, mas o que fizeram em nome dele… Se ele voltasse a viver teria um treco ao ver pra onde caminharam a Igreja Católica, as evangélicas… Como bom agnóstico, digo: Meu Deus!!! Abs.

  • Fábio

    Li de novo seu post, que é bom apesar do 666, que é grave, é o número da besta mesmo de acordo com o catolicismo, você disse que falaria de religião também e não falou. Pode ter sido uma ato falho por causa do diabo que existe em você. Por causa do 666. Pense no que estou te dizendo.

    • janca

      É, neste ponto você tem razão. Mas falei um pouco de religião no comentário que fiz a você há pouco. O que ia dizer sobre religião é que os políticos e dirigentes que se dizem católicos fazem os maiores absurdos do mundo, vão para o confessionário e saem absolvidos de seus pecados. Podem ficar com a consciência tranquila e repeti-los e repeti-lo e repeti-los. Repetir os pecados, digo. Santa Igreja Católica!!! Abs. 666, por que não?

  • Dani

    Gostei da história do 666 e do Brasinha, vou procurar na internet pra ver se acho alguma coisa sobre o gibi, que me deixou curiosa e confesso que desconhecia, João. Mas gosto desta sua visão de mundo, há erros e erros, transgressões e transgressões, como você expõe não dá pra colocar tudo no mesmo saco. Basicamente é isso. Vou ver se compro Os Viúvos, tenho gostado de suas sugestões, Profecia já vi, claro, o nome do garoto era Demian. Era a maldade em pessoa, mas um fofo. O mundo é mesmo paradoxal, como você gosta de dizer, João. Bjs. Dani

    • janca

      Nada como a internet… Brincadeira, o homem já fez invenções melhores… Mas procurando no Google vi que o nome do garoto de “Profecia” era Damien _acho que se pronuncia Demian, Dani, mas não tenho certeza. Ele era uma figura mesmo. E o ator trabalhou muito bem na primeira versão. Se não me engano _não vou consultar o Google de novo_ a mãe dele no filme era representada pela Mia Farrow, que infelizmente anda sumida das telinhas. Bom resto de domingo pra você, João

  • 777

    6 + 6 + 6 = 18, mas 6 – 6 – 6 = 6. Cuidado. Melhor 777.

    • janca

      ???
      Ainda fico com o 666 _rs. Abs. pra você, 777.

      • janca

        Aproveitando a oportunidade e antes que comecem os jogos, acho que falta menos de meia hora, não é que uma senhora, quando eu falei que era agnóstico, perguntou: Agnóstico é aquele que fica em cima do muro, né? E eu respondi: Não, agnóstico (pelo menos que eu saiba) é aquele que não tem certeza se Deus existe ou não. E eu não tenho. Ela tem. Enquanto alguns têm dúvidas, outros têm certezas. Abs. a todos que vou ver a rodada do Brasileirão, Janca

  • Lucas

    GOL DO MEU XARÁ! CHUPA CURINTIÁ! TAMO NA SUA COLA! VAMO SAO PAULO, VAMO SAO PAULO, VAMO SER CAMPEÃO!

    • janca

      Terminou há pouco o jogo do São Paulo, o time, mesmo com dez, foi bem. Belas atuações de Rogério Ceni e Lucas e um bom empate na Vila. Pra minha surpresa, Adilson Batista tem ido bem no comando do time, apesar de Neto, na Bandeirantes, e concordo com Neto, ter criticado o técnico que não sacou da equipe o Cícero e só colocou Rivaldo aos 41min do segundo tempo. Mesmo assim Adilson até que faz boa campanha e o São Paulo está encostado no Corinthians, Flamengo, idem, Vasco e Botafogo também, o Palmeiras chegando, o campeonato está pegando fogo. Abs.

  • Willians

    1) Porque tá passando o jogo do Santos e não o do Corinthians pra sAo paulo?
    2) O Brasil já tá classificado pra olimpíada?
    3) Se sim, o téncico ainda vai ser o Ney Franco, não o Mnao Menzes, ne?

    • janca

      !) Não sei, já que Corinthians e Palmeiras jogaram em Prudente… Talvez por conta do Premiere…
      2) Sim, está classificado e quem classificou foi Ney Franco, no começo do ano;
      3) O técnico tende a ser mesmo Mano Menezes, com Ney Franco o auxiliando. Mas para o bem do futebol brasileiro eu gostaria _e também acho que por merecimento, inclusive_ que o técnico fosse o Ney Franco. Abs.

  • Nilú

    É isso mesmo, “O Processo” de Franz Kafka, relata o que são nossas relações de vida, de culpas que carregamos muitas vezes sem te-las mas nem todos conseguem entender, uma pena isso. Bom fim de domingo com um lindo por de sol. Nilú

    • janca

      É, e também mostra os absurdos que nos atingem e que não sabemos nem de onde estão vindo. E agora desculpe a palavra, não encontro outra, que merda aconteceu com o Ricardo Gomes, um técnico dedicado, uma pessoa muito simpática, nada mascarada, gente boa… Neste momento em estado grave no hospital, bem grave, pelo que a TV tem informado, fico na torcida por ele, por seus amigos e familiares. Mas é um momento difícil. E nessas horas vem sempre aquela sensação de que a vida não vale nada. Que merda!

      • Nilú

        Vale sim, a vida vale a pena, mas a tensão pode estragar tudo, apesar de todos os erros que nós seres humanos cometemos, as vezes sem culpa, nem sempre com ações são propositais, muitas vezes nós cobramos estupidamente, impensadamete, mas somos humanos, e ai está a grande questão, como somos nós de verdade!!! Somos infelizmente bem capazes de fazer merda, mas quem sabe em um dado momento possamos enxergar e corrigir!!! E espero que sim,espero que tenhamos tempo para isso. Torço por Ricardo Gomes e por todos como ele, uma pessoa do bem. Boa noite!!!

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