A verdade sobre Ronaldo em 98



Como cobri a Copa de 1998 na França, muitos me perguntam até hoje o que aconteceu com Ronaldo antes daquela maldita final. Foi a Nike que exigiu sua presença em campo? Ele teve um ataque epilético antes do jogo? Uma convulsão? O que aconteceu no vestiário do Brasil? E na concentração? Os jogadores entregaram a partida para os franceses? A seleção trocou a Copa de 1998 pela de 2002 e pelo direito de o país receber o Mundial de 2014?

Enfim, a pergunta que até hoje não quer calar: O que de fato aconteceu com Ronaldo em 1998?

E eu respondo a vocês, eu que estive lá, como respondo a todos que me fazem essa pergunta: Não sei. Sinceramente não sei. Se soubesse, teria publicado!!!

Mas tenho minhas teorias. Que não são necessariamente a verdade. Não, são apenas minhas teorias.

Ronaldo teve uma crise nervosa antes da final. Para mim foi o que aconteceu. Tiro isso principalmente depois do que o jornalista e hoje editor de Esporte da “Folha”, José Henrique Mariante, apurou.

Ele ficou mais uma semana após a Copa na França indo ao hospital por onde Ronaldo passou antes da decisão, à concentração da seleção, conversando com funcionários do hotel, tentando chegar… ao que de fato aconteceu.

Pelo que apurou, Ronaldo teve mesmo uma crise nervosa, uma crise de ansiedade, não um ataque epilético. E é nisso que acredito.

Quando estamos sob forte pressão _e Ronaldo estava por uma série de motivos que vou enumerar abaixo_, isso pode acontecer.

Ronaldo, ainda garoto, era a grande esperança do Brasil, o mundo todo estava de olho nele e isso não é fácil enfrentar. Fora os problemas familiares que ele vivia na França. Alugou uma casa onde ficavam seus pais, que são separados, cada um com seu novo parceiro e divergências entre eles chegavam ao próprio Ronaldo _e o aborreciam, claro_, durante o Mundial.

Boatos sobre sua então namorada, Susana Werner, hospedada na mesma casa, segundo os quais estaria tendo um caso com o jornalista Pedro Bial, o que duvido. Depois de conversar muito com Bial, na Copa de 2006, colocaria a mão no fogo e afirmaria com convicção que o caso não existiu, mas os boatos não paravam. Pois quando eles começam parece impossível freá-los. Eles correm como uma peste.

Tudo isso afetou Ronaldo, tanto que na véspera da final a então mulher de Bial, Giulia Gam, minha colega de classe na Escola Nova Lourenço Castanho, escola cuja diretora era a mãe de Juca Kfouri, uma diretora encantadora, aliás, apareceu com o filho do casal para mostrar ao atacante que estava tudo bem entre ela _Giulia_ e o apresentador e que nada havia entre Bial e Susana.

A pressão sobre Ronaldo era imensa. A responsabilidade de vencer os franceses na casa deles, a difícil relação entre seus pais, os boatos sobre sua namorada, tudo isso, enfim, levou-o a uma situação de estresse. Não a uma convulsão ou a um ataque epilético. É assim que vejo o caso. E é por isso que os exames não acusaram nada.

Mais maduro, Ronaldo hoje consegue tirar a pressão de letra. Enfrentar as críticas, inclusive sobre sua vida pessoal. Que é dele e de mais ninguém. Ele tem, como todo mundo, direito à privacidade. Mas, quando invadida, aprendeu a se defender e a se preocupar menos, cada vez menos, com as opiniões alheias. E com os boatos, fofocas e comentários maldosos.

Há dois filmes _”Notas sobre um Escândalo” e “Dúvida”_ que tratam muito disso, de boatos, invasão à privacidade, maldade, fofocas, como elas se espalham e se tornam “verdade” (especialmente no segundo filme)… Ambos muito interessantes.

Mas voltando a Ronaldo hoje ele é outra pessoa, mais forte, evoluída e preparada. Não teria tido a mesma crise que teve em 1998, imagino. Pode ter outras, mas aquela não.

E mostrou ter evoluído quando, numa das CPIs sobre futebol no Congresso, um deputado lhe perguntou o porquê de o Brasil ter perdido para a França. Com muita categoria, Ronaldo respondeu algo como: “Porque a França marcou três gols e o Brasil nenhum.” Como no futebol ganha quem marca mais gols… Arrancou risadas da plateia e deixou constrangido o “interrogador”. Isso é saber se defender. E atacar no momento certo. E Ronaldo, pelo jeito, aprendeu. Fico feliz por ele. Boa quarta a todos, João



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