O rabino e a honestidade



Já que discutimos muito os subterrâneos do futebol, política, denúncias de corrupção e também literatura, cinema, mídia, relações humanas, queria compartilhar com vocês uma definição que achei interessantíssima sobre a honestidade _se é que ela existe… A honestidade, não a definição _risos.

“A honestidade não está na plena probidade, mas no reconhecimento de nossas vulnerabilidades e fraquezas _a única maneira que temos de aspirar por maior consciência e aperfeiçoamento.” A definição é do rabino Nilton Bonder, no livro “Segundas Intenções _Vestindo o Corpo Moral”, de que ele é o autor.

É uma espécie de continuação do livro “A Alma Imoral”, que acabou virando uma bela peça de teatro. Espero que este também vire, pois o rabino solta o verbo novamente e diz muitas coisas que merecem profunda reflexão de todos.

Ele pondera que “vestidos dentro de nós estão quatro personagens”. “Aquele que você pensa que é, aquele que os outros pensam que você é, aquele que você pensa que os outros pensam que você é e aquele que você gostaria que pensassem que você é.” E conclui: “A distância entre estes quatro `vocês´ detecta a influência de segundas intenções num indivíduo. Quanto maior essa distância, maior será sua necessidade por garantir presença e maior seu custo em termos de existência.”

Bonder segue: “Talvez Adão (sim, de Adão e Eva) tenha que se vestir para não se ocultar; para poder reencontrar a si mesmo. Porque vestido, demonstrando ao mundo que não é transparente, mas, ao contrário, um ser com muitas máscaras, poderá fazer uma melhor auditoria de seus feitos, falas e pensamentos. Talvez o mais nu dos humanos seja um ser vestido; plena e contundentemente vestido.”

E segue ainda mais um pouco: “O impulso-ao-bom não é o antídoto ao impulso-ao-mau porque ele não quer neutralizá-lo de forma direta. Seu arsenal se constitui de uma única possibilidade: vestir ainda mais o impulso-ao-mau, de tal forma que este não possa perambular incólume por nossas vidas. Sua missão é buscar objetividade em vez de subjetividade, resgatando assim a prevalência da realidade, e não a do sujeito, sobre a vida. Sua função é dar voz em vez de sussurro; dar rosto em vez de máscara; e é fazer algo ser entendido em vez de subentendido. É portanto vestir muito mais do que despir.”

Bom domingo a todos, João



  • Fernanda

    Que texto poético. Tenho que ler e reler e reler. Não sou judia, mas acompanho o trabalho de Nilton Bonder. O mundo precisa de religiosos com uma mentalidade aberta a novas ideias como tem o rabino. Parabéns a ele e a você também por compartilhar conosco um texto tão bonito e profundo.

    • janca

      Obrigado de coração, Fernanda. João

  • Nilú

    Para um domingo gelado, quieto e gostoso para ficar em casa,
    esse post se encaixa muito bem.
    Quem quiser, está com condições ideais para pensar muito nele e “tentar” entende-lo.
    Fantástico o que vc colocou hoje João.
    Nilú

    • Alexandre Kaufmann

      Fantástico é a palavra certa, Nilú. Sou judeu, me indicaram o blog e tenho visto posts muito bonitos do João sobre o judaísmo. João, você mostra o lado bom do judaísmo. Gostei daquele que você escreveu sobre o centenário de Bernardo Segall, se era seu tio-avô e irmão de sua avó materna, você é judeu. Filho de ventre judeu é judeu, João. Nilú, que imagino não ser judia, e a Fernanda, que disse não ser judia, gostaram. Este lado do judaísmo temos que mostrar pra humanidade. Com meu respeito e admiração, Alê

      • Dani

        Aproveitando a deixa da Nilú e a sua, Alexandre, foi a melhor definição que já vi sobre honestidade. O restante é pra gente tentar entender, né, Nilú? Mas você reparou que quando os posts são mais densos a repercussão é menor mas não tem aquela troca de insultos entre os internautas? A moeda tem dois lados, João, isso é o bonito da vida. Dani

        • janca

          Oi Dani, a moeda tem dois lados e a vida, vários. Bom domingo, João. Aliás, ótimo domingo.

      • janca

        Valeu, Alexandre, e eu sabia que filho de ventre materno é judeu, sim. Como minha avó materna era judia… De qualquer jeito, sigo agnóstico, embora tenha muitos amigos judeus _e parentes também, claro_, admire muito o judaísmo, mas não gosto da ortodoxia, os ultraortodoxos, como em todas as religiões, vejo com os “três” pés atrás _rs. Obrigado pelo bonito comentário, João

    • janca

      Obrigado, Nilú, um ótimo domingo gelado pra você também. João

    • janca

      Ops, minha resposta pra você entrou em lugar errado (risos). Aqui fica meu obrigado pelo comentário e pelo elogio e os votos de um ótimo domingo pra você. João

      • janca

        Ops, está entrando em lugar certo mesmo _rs_, eu que ainda me confundo com o blog _rs de novo. João

        • Nilú

          Ops._rsrs.
          Fique tranquilo, nem precisaria ter respondido, pois não falei nada demais.
          Mas entendi e agradeço a resposta sim.
          E já estamos na metade do ótimo domingo_rs.
          Nilú

  • Daniel Levi

    Sou carioca, conheço o rabino e ele é mesmo um ser de ideias e conceitos novos, não li este último livro dele, vou ler, obrigado pela dica e muito interessante seu blog, foge dos padrões usuais, assim como Nilton Bonder foge dos padrões estereotipados que as pessoas têm sobre rabinos e judaísmo. Sou judeu, como você podem imaginar e também fujo dos padrões _hahaha.

    • janca

      Fugir dos padrões pode ser uma coisa muito boa. Não somos obrigados a nos enquadrar como quer a sociedade ou parte significativa dela, não. Viva a diferença. Abs. e obrigado pelo comentário e legal saber que você conhece pessoalmente o rabino (foi o que entendi pelo seu comentário), eu não tive essa oportunidade. Ainda. Abs. João

  • Johannes

    Bom Dia João Carlos,

    Gostei dos quatros personagens do rabino. Bem Interessante. Essa nossa relação com a nossa imagem e autoimagem norteia muitas das nossas ações. Sabendo onde estamos, quem de afto costumamos ser e onde queremos chegar fica mais fácil traçar um caminho. As máscaras que tentamos colocar em nós mesmos, ou a imagem que queremos transmitir as vezes é que nos deixam vulneráveis e nos impedem de evoluir.
    Na linha das reflexões Esse fim de semana assisti um filme interessante sobre os últimos dias de Tolstoy, vc já viu ? é com o James McAvoy, Paul Giamati, Helen Mirren. Me fez refletir um pouco sobre algumas coisas, especialmente sobre a minha esposa e sobre o valor da tolerância numa vida a dois. . A propósito, o filme chama-se: a última estação. Bom domingo a todos.

    • janca

      Obrigado pela dica, Johannes, sabe que já tinham me indicado este filme e eu não me interessei? Mas agora que você falou sobre ele vou ver, sim. A tolerãncia de fato é fundamental. E a gentileza também. Muito obrigado pelo seu comentário, sempre pertinente, João Carlos.

  • Rebeca Tafla

    O conceito de honestidade que o Nilton Bonder apresenta é simplesmente brilhante. Bjs. Rebeca

  • Gostei da definição. Tive até que olhar no dicionario rs, pois não sabia o que era probidade. Capiau é foda rs. Mas pelo o que entendi, o rabino quis dizer traduzido pro capiau rs: A honestidade plena seria um objetivo praticamente inatingivel, pelo fato de sermos seres imperfeitos na nossa excencia. Seria então um parametro, para avaliarmos nossas atitudes, e se elas ferem a nossa consciencia, e o que devemos fazer para sermos melhores. Isto levando em consideração as regras que a sociedade dita, para o bom relacionamento dos seres humanos em geral.
    Eu acrescentaria ainda que, a honestidade depende do ponto de vista de cada um, levando em consideração a forma que cada um ve a vida. Então dependendo da pessoa, a definição honestidade, pode ser a de pagar suas contas em dia, cumprir seu compromisso com sua familia e com vc mesmo, não levando em consideração o que o restante da sociedade. Esta pessoa então, aplicará a honestidade somente junto aos seus, e para o restante da sociedade, a qual ele faz parte, tanto faz como tanto fez. Então para mim definir a honestidade precisa precisa ainda alguma reflexão, mas foi bom tocar neste assunto, me fez pensar bastante. abços p.loco

    • janca

      E seu comentário também fez eu para para pensar e refletir bastante. A definição de honestidade é complicada mesmo, mas gostei do seu ponto de vista e da sua interpretação, que é parecida com a minha. Grande abraço, João

  • E mesmo joão? Este meu comentario baseia-se em minha experiencia de vida, principalmente a profissional. É que sou corretor de imóveis, e por força desta profissão acabo passando por situações, em que a atitude do ser humano é no minimo imprevisivel (lembra do chipanzé?). O que quero dizer é que, em toda situação que envolve dinheiro, principalmente quantias grandes como é no meu ramo, vemos a verdadeira cara do ser humano. Dependendo da situação, aquela pessoa que vc conhece (ou acha que conhece) a varios anos, de reputação conhecidamente ilibada, dependendo da situação em que se apresenta um negócio, vemos ela se transformar, num ser totalmente desprovido de pudor, honrades, ou qualquer outra atitude nobre. Tudo isto principalmente por ganancia, mas muitas vezes até por vaidade, enfim, a mascara cai. Irmãos tornam-se inimigos, filhos interditam pais para que não possam vender o que lhes é de direito, para que possam herdar os bens após a morte, casais se separam, amigos querem matar um ao outro, uma coisa de doido. Costumo dizer que “O dinheiro é o esterco do diabo”. Por isto digo que HONESTIDADE é algo muito dificil de definir, pois depende muito das circunstancias, e principalmente do ponto de vista de cada um. Costumo separar o ser humano em 3 tipos:
    1) O completamente honesto, que é aquele que cumpre religiosamente com sua palavra, independente do que possa lhe acontecer, e ou do prejuizo que possa ter. Estes são no maximo 10% da população.
    2) O casualmente honesto, que é aquele que geralmente cumpre com seus deveres e sua palavra, mas se o negócio apertar e achar que é necessario, vai cometer um deslize. O que quer dizer, a situação faz o vilão. Estes são talves 80% da população
    3) E o totalmente desonesto, que é aquele que é vigarista nato, não cumpre nada do que promete, só faz falcatrua, enfim este não tem jeito mesmo. São Talves 10% (mas acho que ta aumentando rs)
    Pra finalizar, todos estes 3 tipos que citei se forem indagados, vão dizer que são honestos, e no fundo eles realmente se consideram honestos, no ponto de vista deles é claro. É complicado, mas é isto ai. Abços. p.loco

  • janca

    Gostei de quando você diz que o dinheiro é o esterco do diabo. E eu diria que o ciúme e a inveja, que são sentimentos humanos, embora poucos admitam que os tenham, também. Abs. João

    • Concordo plenamente. Dando mais enfase a inveja, o primeiro e pior pecado capital na minha opinião. O ciume, é um sentimento que se sente geralmente de uma pessoa só. Agora a inveja e algo muito mais amplo, e nocivo. Como vc disse são sentimentos humanos. E que todos nós estamos sujeitos a eles, em algum momento de nossa existencia.
      Inveja é um sentimento que sinceramente nunca senti e não sinto. Verdade, não sinto mesmo. O que me tornava fragil, diante da maioria das pessoas . O que quero dizer é que, por não ter este sentimento, não via isto nas pessoas. A maldade gerada pela inveja.
      Hoje mais calejado pela vida, e depois de ter passado por poucas e boas, estou mais escolado, e infelismente sou obrigado a desconfiar de todo mundo. Muito triste isto, mas é a pura realidade.
      Então, tento sempre me cercar de boas almas, e bons amigos. Os que escolho a dedo, para poder enfrentar estas mas energias, que vivem nos rondando e vampirizando o que temos de bom.

      • janca

        Com o passar do tempo também luto para melhorar como ser humano, cercando-me de pessoas que me fazem sentido, almas mais puras, enfim, a vida é um grande aprendizado _pode ser um clichê, mas como a maioria deles é verdade. Sobre inveja, de fato é um sentimento que as pessoas têm vergonha de admitir que têm _não estou dizendo que este seja seu caso, você está dizendo que não tem e admiro isso. Tento não ter, mas volta e meia percebo que escorrego e tenho, sim. A inveja não é necessariamente você querer algo, é querer que o outro não tenha, deseja que o outro não consiga alguma coisa. Gostaria de dizer que estou livre dela, quem sabe um dia, mas ainda não cheguei lá. Como disse, quem sabe um dia… Abs. João

        • Esta parte do seu comentario é a parte mais nociva da inveja ” A inveja não é necessariamente você querer algo, é querer que o outro não tenha, deseja que o outro não consiga alguma coisa”. Vc definiu muito bem. E por eu não ter este sentimento, não conseguia entender ou perceber que tem pessoas, que estão a seu lado torcendo contra, e até te prejudicando por pura inveja. Hoje não. Ja consigo perceber os invejosos de longe. E quem me ensinou isto foi um irmão infelismente.
          Hoje, acredito que se a gente tem um pouco de inveja (disse um pouco), é até salutar. Pois quem não tem inveja, dificilmente percebe os invejosos que estão lhe prejudicando, ou até mesmo com a intenção disso.

          Janca só de vc admitir que sente inveja, e quer se livrar dela, ja é um grande passo. Mas não será facil, pode ter certeza. Ela parece algo nato, congenito, sei la. Parece que as pessoas ja nascem invejosas. Vc me parece uma boa alma. Com certeza chegará la sim. abços

          • janca

            Espero que sim, pelo menos luta contra sentimentos negativos, embora nem sempre tenha sucesso. Sou humano, demasiadamente humano… Com todas nossas mazelas. Abs. e boa noite pra você, Janca

MaisRecentes

Pela saída de Levir



Continue Lendo

Apoio a Jô



Continue Lendo

Os preços da Seleção



Continue Lendo