Pênaltis, fé e a árvore



Acabei de voltar do cinema, vi “A Árvore da Vida”, de Terrence Malick, para mim ainda melhor do que “Melancolia”, de Lars Von Trier, que já havia considerado brilhante.

É um filme que trata de relações familiares e fraternais, aborda a finitude. o macro e também o microcosmo, o universo, a fé, Deus, a falta Dele…

Imagens lindíssimas, trilha sonora de primeira, muita música clássica, piano… Sensacional. Sensacional pra mim, porque na saída uma mulher reclamava não ter entendido nada e definiu o filme como horrível.

Sei que temos que respeitar opiniões alheias, mas muitas vezes não respeito, não. Achei a mulher uma idiota e pensei: Quem é o imbecil que namora essa besta?

Besta à parte, nunca tinha visto um filme que retrata de maneira tão inteligente a questão da fé.

Lembrei de um garoto numa igreja em Turim que rezava, rezava e rezava, rezava tão fervorosamente que pensei: Se existe um Deus, que Ele ajude esse garoto. Que atenda a seu pedido, seja ele qual for, porque para o rapaz era a coisa mais importante do mundo.

Dias depois eu voltava ao Brasil e no avião vi um rabino fazendo suas orações e um rapaz colombiano, sentado a meu lado que rezou um bocado pedindo para aquele avião não cair. Mas se tivesse que cair, cairia. Com ou sem oração.

No dia seguinte caiu o avião da Air France, que ia do Rio a Paris. Com certeza houve gente naquele voo que rezou. E rezou fervorosamente.

Como rezaram portugueses e argentinos na disputa por pênaltis nas quartas-de-final do Mundial sub-20.

A Argentina vencia por 3 a 1, precisava só converter mais um pênalti de dois ou torcer para Portugal errar mais uma das duas cobranças finais. Deu tudo errado. Os argentinos erraram duas vezes seguidas e os portugueses fizeram os seus. Empate, novas cobranças e vitória de Portugal.

Pena que a TV cortou a transmissão e pudemos ver pouco da alegria portuguesa e da dor argentina, que me comoveu. É que o mais emocionante aconteceu depois dos pênaltis. A comemoração dos portugueses foi tão intensa que parecia que eles tinham conquistado… nem sei o quê. E a tristeza dos argentinos era tão grande que chegava a cortar o coração.

Vejo essa dor tão intensa como exemplo. Exemplo de quem se importa. Exemplo de quem merece aplausos, apesar da derrota. Porque num torneio sub-20, um jogador parece sentir muito mais uma vitória ou uma derrota. A emoção está toda lá.

E por mais que portugueses e argentinos tenham rezado e feito sinal da cruz, um dos dois lados iria perder. Não porque Deus prefira A ou B. Mas porque se realmente Deus existe, o que duvido, Ele tem coisas mais importantes com o que se preocupar.

Só que em vez de tapar as feridas, parece que ele manda moscas para torná-las ainda maiores, como diz um trecho de “A Árvore da Vida”. Belo filme, belo jogo. Recomendo o filme para quem não viu, porque o jogo já foi.



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