A Copa de 1986



Ainda adolescente, a Copa de 1986 foi a primeira das cinco que acompanhei in loco. E foi uma das melhores, apesar da eliminação do Brasil nas quartas-de-final. Mas caímos num grande jogo, em pênaltis vencidos pelos franceses.

Eram outros tempos, não sei se melhores ou piores, outros tempos… O torcedor que estava no México entrava à vontade na concentração da seleção, conversava com os jogadores, tirava fotos com eles, acompanhava outros jogos pela TV ao lado dos atletas…

No hotel em que estávamos apareciam Sócrates, Casagrande, o goleiro Paulo Victor, que iam visitar familiares, não havia o cerceamento da imprensa que há hoje, centenas de assessores, assessores de assessores, seguranças, isso e aquilo.

E éramos tratados como reis pelo povo mexicano, a ponto de um amigo ter ficado mais de duas horas numa praça dando autógrafos aos torcedores locais. Mesmo dizendo que se tratava de um “simples” torcedor, não de um jogador. Não importava, era brasileiro, queriam um autógrafo dele.

O mais bacana é que ficamos amigos nesta viagem, logo no desembarque em Guadalajara e mantivemos a amizade, mesmo ele morando no Rio, eu e meu irmão, que viajamos juntos, em SP. E seguimos amigos até hoje, 25 anos depois, ele no interior de SP, eu na capital paulista, depois de ter passado dois anos no Rio, quando ele já não estava lá.

Médico, profissional competentíssimo e humano, é pai de duas crianças maravilhosas e uma das pessoas mais decentes que conheci. Um dos meus melhores amigos. Não nos encontramos muito, mas a amizade é a mesma. Daquelas que você sabe que não vai acabar nunca.

Volta e meia ele aparece e comenta alguma coisa no blog. Chegou a se desencantar com o futebol, muito por causa dos nossos cartolas, depois se encanta novamente, desencanta-se mais uma vez, mas no fundo sei que não perde a garra e a vontade _e luta para isso_ de ver nosso futebol em melhores mãos.

Ah! Ainda nos encontramos em outras Copas, em 1998, na França, em 2002, no Japão, e em 2006, na Alemanha. Grande amigo, grande ser humano, o lado bom do futebol, um esporte que pode unir as pessoas, tecer e fortalecer amizades. E só para mostrar como somos “das antigas” _risos_, em 1986, acreditem ou não, Ricardo Teixeira não era presidente da CBF. Se bem que seu então sogro, João Havelange, já mandava e desmandava na Fifa havia 12 anos…



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