Futebol e economia



Como a crise da economia norte-americana pode afetar o futebol brasileiro, os preparativos para a Copa-2014 e a Olimpíada-2016? Dificultando a captação de recursos que poderiam financiar as obras de infraestrutura, tão importantes para que possamos abrigar com dignidade estes dois grandes eventos.

Mas o que mais me impressiona é a turbulência no mundo econômico desde sexta-feira, quando a Standard & Poor`s decidiu rebaixar os Estados Unidos, que para a agência não são mais AAA, gerando incertezas nos cinco continentes.

Muitas vezes, por mais que economistas amigos meus contestem o que digo, suas projeções parecem palpite para resultados de jogos de futebol. O imponderável pode colocar tudo a perder. E a própria capacidade de avaliação das agências de risco, assim como a dos comentaristas de futebol, é questionável.

Em 2008 não é que os bancos islandeses, que literalmente se dissolveram, tinham nota AAA?

Depois da crise _ou de uma derrota_, no entanto, aparecem os especialistas de plantão. E falar após o resultado final é fácil. O complicado é analisar antes ou mesmo durante um jogo. Porque depois que ele termina surge a turma do “eu já sabia”. Já sabia mesmo? Então por que não disse antes? O mesmo vale para os economistas. Quantos previam a quebra do Lehman, que precipitou a crise bancária de 2008 mundo afora?

Há muitas bolhas por aí, imagino. No mercado imobiliário, por exemplo, mas também no futebol. Li outro dia que o Santos paga 500 mil reais por mês para Elano. Se for isso, não afeta a saúde financeira do clube? O jogador vale tudo isso? E no caso da Espanha, em que mais de uma dezena de clubes da primeira e segunda divisões podem quebrar e seguem pagando salários astronômicos a alguns atletas? Ninguém faz planejamento econômico?

Só espero que a perspectiva de que a inflação no Brasil aumente, possibilidade cogitada por vários economistas, não sirva de desculpa para mexerem mais uma vez na previsão de gastos para a Copa de 2014 nem para os Jogos de 2016. Porque no Brasil tudo é motivo para festa. Até mesmo a crise da economia dos Estados Unidos.



  • Cássio

    Oi Janca, acho que em parte você tem razão porque nós, economistas, trabalhamos com o imponderável, a imprevisibilidade e por esse motivo nem tudo sai como imaginamos. É que nem o futebol mesmo. A economia não é uma ciência exata, mas queria te lembrar que alguns economistas alertaram sobre a bolha que estava se formando em 2008, mas não sabiam quando ela iria explodir. O mesmo com o cenário dos USA agora e também com a bolha da internet que explodiu, lembra dela? Muitos se revoltam com a gente quando vêem um AAA pra Islândia _hehehe. Isso foi demais mesmo. Abs. e boa Copa pra gente

  • Cássio

    Não sei se você leu que o ministério dos esportes vai centralizar o trabalho pra Copa, não acho uma legal pra gente. O ministro é o mesmo do Pan.

    • janca

      Também não acho uma boa a centralização dos trabalhos no Ministério do Esporte, Cássio. Abs. e valeu pelos seus comentários, Janca

  • Tarcísio Rezende

    Caro Janca, por falar em futebol e economia, veja o que o Juca postou em seu blog sobre o presidente do Corinthians, merece ver lido. E sugiro que você aprofunde o tema, como um ex-membro de torcida organizada virou uma pessoa tão poderosa, merece uma profunda reflexão.
    E só para lembrar, ele não era aliado do Dualib?
    Abração.

    • janca

      Oi Tarcísio, como sempre costumo fazer li o Juca, sim, de quem sou fã, e você lembrou bem. O atual presidente corintiano era aliado de Alberto Dualib, sim. Mas você sabe como funcionam essas alianças “políticas”… Grande abraço, João

  • Flávio Palestra

    Foi a Isto É que detonou o cara no final de semana. O Andrés Sanchez virou poderoso, caro Tarcísio, porque se aliou ao Ricardo Teixeira. Você acho que foi acaso o Corinthians ganhar um estádio assim? Ele era aliado do Dualib sim senhor mas depois o traiu, como era favorável ao Kia, sabia disso? Não sei se você é palmeirense como eu ou são-paulino, sou outro revoltado com o Itaquerão. E note uma coisa impressionante. No Rio está acontecendo a mesma coisa que em São Paulo, aqui com o Corinthians, lá com o Flamengo, caro Tarcísio. O Flamengo vai acabar ficando com o Maracanã pra ele porque se aliou à CBF. A Patrícia Amorim só trouxe o Ronaldinho Gaúcho pro Flamengo por causa do Teixeira e do Hawilla. Por que que você acha que ele não veio pro Palmeiras? O futebol me revolta, desculpe até pelo desabafo. Abração também

    • janca

      Com todo respeito, Flávio, acho que o Ronaldinho Gaúcho acabou acertando com o Flamengo, não com o Palmeiras nem com o Grêmio, que também estava no páreo, pois a costura com a direção rubro-negra acabou sendo melhor para ele. Mas não sou favorável ao Maracanã ficar com o Flamengo, como você diz, nem ser arrendado pelo clube carioca, assim como fui contra a entrega do Engenhão, digamos assim, para o Botafogo. Abs. João

  • MENGO É DEZ

    Vocês só podem ser dois invejosos que pensam com o fígado. Deixa eu fazer uma pergunta: o Ronaldinho Gaúcho tem dois times para escolher, Flamengo e Palmeiras. Qualquer pessoa normal escolhe o Flamengo, que é o maior time do Brasil. Isso não tem nada haver com o Ricardo Teixeira e o Jota Hawila. Vocês têm inveja do Corinthians e não conhecem nada do futebol do Rio. No Rio metade da população é rubro-negra. Junta Vasco, Botafogo e Fluminense não dá a torcida do Flamengo. Vou fazer outra pergunta: o maracanã tem que ir pra quem? Flamengo, claro. Em São Paulo junta são-páulino e palmeirense e não dá o tamanho da torcida do Corinthians. Itaquera tem que ira pra quem? Vocês entenderam? Democracia é respeito a maioria. E Flamengo e Corinthians são maioria. simples assim. Espero que tenham entendido e parem de falar besteira. É muita ciumeira. MENGOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO DEZ!!!

    • janca

      De fato Flamengo e Corinthians têm as duas maiores torcidas do país, mas a democracia também é respeitar o direito das minorias. E sigo dizendo, pela milésima vez aliás, que sou contra dinheiro público para arenas particulares, seja para Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Vasco, não importa o tamanho da torcida. João

      • janca

        Só mais um adendo, não se trata de inveja nem de ciúme de nenhum dos dois, não senti que eles “pensaram” com o fígado, como você colocou. É fácil tentar desqualificar o argumento dos outros dizendo que estão com inveja ou ciúme. Com todo respeito, um abraço pra você, João

  • Patrícia Fernandes

    Uma observação é necessária ao seu texto. A inflação já vem subindo em 2011 e já se esperava que subisse ainda mais no último quadrimestre, inclusive devido às festas de final de ano, por isso os juros subiram tanto, uma tentativa de freá-la. Isso pode repercutir nas obras da Copa e das Olimpíadas. Não seria um erro, seria um ajuste. Patrícia Fernandes, economista

    • janca

      Oi Patrícia, neste ponto de fato você tem razão. Valeu pelo puxão de orelha, abs. João

  • Não voi comentar sobre a robalheira que vai ser a copa do mundo aqui no brasil, porque isto é mais obvio do que vou comer arroz com feijão daqui a pouco (uma saladinha e um bifinho hummmm). Mas achei interessante este assunto sobre agencias de risco e economista. Primeiro porque acho que este negócio de agencia de risco e como um jogo de cartas marcadas. Só avaliam e favorecem a quem interessa a eles, ou a para quem eles trabalham. Ou seja os americanos, e paises europeus poderosos. Vc citou bem o caso da islandia. Porque um paisinho de merda que não tem nada a não ser vulcões e turismo, podem ter uma avaliação maxima AAA? Pra mim só pode ser porque esta localizada na europa, e com a unificação da moeda, não era nada interessante ter nenhum pais do continente com a corda no pescoço. E Agora descubrimos que existem varios (grecia, portugal, italia, espanha), com a goela roxa, como diria meu pai. E esta descoberta me deixa muito preocupado. Pois com tudo que temos visto, tudo indica que o mundo caminha para um ajuste de realidade financeira, de proporcões que não podemos prever. E isto certamente gerará alguma recessão, o que não é nada bom. Vou fazer uma comparação destes paises endividados com uma pessoa fisica. É como aquele cidadão que tem muito credito, através de cartões, cheques especiais, linha de credito , enfim. Tem onde levantar grana, e vai empurrando com a barriga até que a coisa explode de vez, e dai é, “devo não nego, pago quando puder”. Ja vi este filme varias vezes.

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