Centenário de Bernardo Segall



Essa semana faz cem anos do nascimento do pianista e compositor brasileiro Bernardo Segall, que estudou com um discípulo de Franz Liszt, Alexandre Siloti, e elevou o nome do Brasil no exterior.

Segall (1911-1993) tocou com as principais orquestras do mundo, como as Filarmônicas de Nova York, Los Angeles e Londres, tendo sido regido por maestros como Toscanini, Bernstein, Klemperer e Villa-Lobos.

Morou muito tempo em Los Angeles, em Sherman Oaks, numa casa muito bonita que tive a oportunidade de conhecer, pois ele era irmão de minha avó materna, Esther Segall de Assumpção, ambos sobrinhos de Lasar Segall (1891-1957), artista lituano naturalizado brasileiro.

Como compositor, o nome de Segall aparece em espetáculos da Broadway e filmes de Hollywood, entre os quais “Camino Real”, sem falar em séries de TV, como a do detetive Columbo.

Esquecido pela mídia brasileira e estrangeira também, ele passou a maior parte de sua vida nos Estados Unidos, onde fez carreira, ao contrário de sua irmã, que fez caminho inverso. Nascida em Nova York, minha avó criou-se no Brasil, onde casou, teve dois filhos, trabalhou para a Filarmônica Brasileira com suas primas Ema Gordon Klabin e Esther Klabin Landau e morreu em 1972, quando eu ainda era criança.

Um CD de Segall lançado graças ao pequeno arquivo de minha mãe, que tinha a sequência de 10 prelúdios do Cravo Bem Temperado de Bach, sendo oito faixas transcritas por Siloti (1893-1945), fez sucesso no início da década passada e hoje está esgotado. É um Bach diferente tocado por um pianista talentosíssimo.

O CD fez parte de uma coleção _Grandes Pianistas Brasileiros_, cujo primeiro volume é dedicado à pianista Antonietta Rudge, que foi casada em primeiras núpcias com Charles Miller, o introdutor do futebol no Brasil. Sim, futebol e música se misturam, artes que caminham lado a lado.

Fica aqui minha homenagem a Antonietta, Charles Miller e, por que não?, a meu tio-avô Bernardo Segall, que estaria completando cem anos.



  • Dani

    Cabe a nós recordar os que passaram, deixaram seus legados e engrandeceram o nome do nosso país. Recordar é viver. Dani

  • janca

    E a arte que ele produziu era realmente muito bonita. Suas interpretações, fantásticas. Obrigado pelo comentário, abs. João

  • Samuel Abramson

    Lembrar nossos entes queridos e nossos mortos é um dos preceitos do judaísmo. A família Segall, vinda de Vilna, Lituância, tem um papel relevante nas artes brasileiras. O Museu Lasar Segall é prova disso. A família Klabin também. Gostoso ler seu texto, rapaz, homenageando seu tio-avô e sua avó. Não podemos deixar nossas raízes para trás, elas fazem parte da gente. Minhas congratulações e meu respeito, Samuel

  • janca

    Muitíssimo obrigado pelo seu comentário, Samuel. Felicidades, João

    • Francis Lamont

      Quando o visitei ele tinha três óleos de Segall muito bonitos. Acho que tinha perdido ainda um ou outro num incêndio ou acidente, não lembro ao certo.

  • Francis Lamont

    Meu avô teve oportunidade de conhecer Bernardo Segall quando jovem, Bernardo foi casado com uma renomada bailarina que morava em NY, Valerie Bettis, os dois fizeram trabalhos magníficos juntos. Lastimo que ele seja tão pouco comentado no Brasil, desenvolveu trabalho na Califórnia formando muitos alunos. Cheguei a visitá-lo nos anos 70 ou 80 em Sherman Oaks, depois perdi contato, soube de sua morte muitos anos depois, não saiu nada no Brasil, não vi nada, uma desconsideração com nossos artistas que elevam o nome do país no exterior.

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