Melancolia e… lazer



Gosto de ir a jogos de futebol com amigos, para comentar, torcer, observar, discutir, compartilhar a experiência, mas ao cinema prefiro ir sozinho.

Tem gente que vai para namorar, mas eu não, vou “apenas” para ver o filme. E hoje assisti à “Melancolia”, do dinamarquês Lars von Trier, uma obra-prima do nível de… um Santos 4 x 5 Flamengo.

Fantástico. Dividido em duas partes, na primeira traz o casamento de Justine, representada por Kirsten Dunst, melhor atriz em Cannes, em que a mãe da noiva rouba a cena. Não desce para ver o bolo ser cortado pois não viu a primeira vez em que a filha fez cocô, muito menos a primeira relação sexual da noiva, então por que veria o bolo repartido? Faz discurso contra o casamento, instituição em que não acredita, e pede para os noivos aproveitarem enquanto o relacionamento durar. E vocês vão ver como ele dura…

O mala do filme é o cunhado de Justine, que só fala em dinheiro. E participa ativamente da segunda parte, em que sua mulher, a irmã de Justine, entra em parafuso.

O mais bonito, além do cenário, da floresta, da mansão, das cenas de nudez, é a relação de Justine com o sobrinho. Pois a saída _se é que ela existe_ está na magia.

O filme discute tudo. Angústia, tristeza, medos, insegurança, finitude… A maldade… Se a Terra sumir quem é que vai sentir falta dela?

E a música de Wagner é fantástica. Belo filme, como já foi “Anticristo”, do mesmo diretor.

A cena de abertura _de “Anticristo”_ é épica, vi no computador de um amigo na Dinamarca. Ou seria na Suécia? Agora não me lembro direito. Mas é uma cena mágica e forte como este novo filme de Von Trier. Quem gosta de cinema de arte não pode perder. Mas para quem gosta de cinema comercial não recomendo, pois provavelmente vai se decepcionar. E não quero levar essa culpa nas costas. Não, essa não.



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