A ONG do século 19



Em 10 de novembro de 1874, há quase 137 anos, portanto, o Barão de Souza Queiroz criou o Instituto Ana Rosa, em SP, então com o nome de “Sociedade Protetora da Infância Desvalida”.

A entidade continua de pé, atendendo a cerca de mil crianças por dia, entre recém-nascidos e jovens que ainda não completaram 18 anos, com aulas de reforço escolar e cursos profissionalizantes para os mais velhos.

Tive a oportunidade de trabalhar no instituto como voluntário no ano passado, dando aulas de redação criativa, incluindo esporte, cinema e atualidades, assuntos que interessavam a maioria dos estudantes.

Foi uma experiência muito rica, especialmente para mim, que convivi com uma outra realidade, fiquei chocado ao ver o quão pobre segue o ensino público estadual em SP e triste ao constatar a presença de alguns alunos tão aplicados e que recebem tão pouco do Estado.

Vários entre eles queriam muito aprender. Sonham. É aquela velha história. O governo pode roubar-lhes tudo o que for, inclusive um ensino decente, mas não a capacidade de sonhar. Foi por isso, para manter o sonho deles vivo _e consequentemente o meu_, que atuei como voluntário no instituto.

Com uma série de parcerias, ele se mantém vivo há mais de um século ainda nas mãos dos descendentes do barão. Sou um deles, pois minha bisavó materna _Julieta de Souza Queiroz de Assumpção_ era neta do barão.

O legal é ver que, em tempos de impermanência, algumas tradições se mantêm. E essa ONG é uma delas. Ganhou o Prêmio Bem Eficiente, dado a entidades que mais se distinguem no atendimento à comunidade, pelo menos quatro vezes.

Para mim a experiência mostrou que a sociedade civil tem que se fazer cada vez mais presente. No esporte, na saúde, na educação. Sinal de que atividades lúdicas e culturais, e aqui incluo as esportivas, são forte instrumento de inserção social. Se o governo não faz a parte dele, temos que exigir e pressionar para que faça. E cada um tentar dar o melhor de si dentro de suas limitações, falhas, transgressões, erros, pois todos somos humanos. Mas justamente por sermos humanos podemos pelo menos tentar dar o melhor da gente. Pois se é que existe um deus, ele está nas crianças. E se nem nelas está é porque definitivamente ele não existe.



  • Marquinhos Kaufmann

    Sugestão, Janca: não deixe de lado casos positivos como o dessa ONG que já dura quase um século e meio e o dos meninos da FEI. Como você disse algumas vezes há um Brasil que dá certo. Traga exemplos positivos sem se esquecer dos negativos, que são tantos, e repare que você tem dois públicos. Um deles é o do último post, 400 e tantos comentários, dei uma olhadinha, baixo nível total. Outro mais seleto para seus posts sérios, mais bem escritos, que nos levam à reflexão sem o boom de comentários dos posts boleiros. Quantidade não é qualidade. Não vá pelo caminho mais fácil, porque o caminho mais fácil é o que todos trilham para ter audiência. Se for o caso, procure outro espaço que tenha um público mais a ver contigo, camarada. Você acha fácil porque competência não lhe falta. Pense nisso, Marcos

    • janca

      Oi Marcos, de fato já percebi que meu blog atrai dois públicos diferentes e meus posts acabam variando entre os mais informativos e os mais opinativos, inclusive porque não é todo dia que tenho informação nova e que ache que vá interessar ao internauta. Confesso, porém, que prefiro os segundos, embora já tenha percebido que são os primeiros que dão mais repercussão. Mas o público que comenta os primeiros acaba brigando entre si, trocando xingamentos, perdendo a cabeça, indo pro clubismo ou bairrismo, seja lá o que for, enfim… Coisas da internet, que muitos consideram a terra de ninguém. E não vou dizer que estejam errados. Mas fique tranquilo que vou tentar continuar com histórias positivas dentro das mazelas que atingem nosso futebol e esporte em geral. Muito obrigado pelo comentário e pelos elogios, grande abraço, João

  • Nilú

    Não sei se deus existe, acho que não, mas essa é minha conclusão.
    Mas existem seres humanos como o João, com capacidade, ação e bondade para ajudar outros seres humanos, isso faz valer viver.
    Acho que este post além de comentado deve ser copiado em atitude.
    Um ótimo dia!!

    • janca

      Pô, muito obrigado pelo comentário, tento fazer o melhor, mas estou cheio de falhas, transgressões e pecados, ainda mais se formos ter como parâmetro a Igreja Católica _risos. Mas acho que como você penso que o que podemos fazer é tentar ser bacana com os outros e isso, dentro das minhas limitações, tento ser. Obrigado mesmo pelos elogios, João

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