Futebol para ricos



Um processo que aconteceu na Inglaterra no final dos anos 90, começo da década passada, está em curso no futebol brasileiro. A elitização do esporte e dos estádios, que especialmente depois da Copa de 2014 devem ser frequentados prioritariamente pelas classes A e B, talvez pelos emergentes da C.

As tribunas, os camarotes e os setores vips tendem a ocupar mais espaço e as arquibancadas populares serão reduzidas.

Isso aconteceu com o Manchester United, cuja torcida protestou, dizendo que os jogos do time, com carnês para toda a temporada vendidos antes do início do campeonato, passaram a ser frequentados pelos endinheirados das classes A e B. Pesquisas comprovaram o fato. As classes mais baixas deixaram de seguir o time e começaram a ocupar menos de 20% da capacidade da arena.

Quem conheceu o Maracanã não vai reconhecê-lo quando ficar pronto _previsão dezembro de 2012. Será um novo Maraca. Um Maraca com capacidade inferior a 80 mil lugares e com o espaço reduzido para o povão.

Não sei que uso se dará a elefantes brancos em outros Estados, exceto Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas e Rio de Janeiro, que têm condições de utilizar seus estádios com maior frequência, pagando bem por um assento. Mas nas outras sete sedes da Copa como serão mantidas as arenas? O que será feito delas? É uma discussão importantíssima.

Muitos falam em usá-las para outras atividades, mantê-las em funcionamento o ano todo, com bufês infantis, cinema 3d, centros de compra, restaurantes, espaço para shows… É uma ideia, mas uma ideia que funciona melhor em SP, RJ, RS, PR e MG, não sei se nos demais estados, onde a procura é menor.

O que sei é que o futebol começa a criar um novo público. Um público elitizado, disposto a pagar caro pelo ingresso, mas a ter todo o conforto possível. Uma nova era já começou e acredito que irá se consolidar depois da Copa. Não sei se para melhor ou pior, mas definitivamente será uma outra era. Novos tempos virão…



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