Palestina e Israel



Única dos 208 filiados à Fifa não reconhecida como uma nação pela comunidade internacional, a Palestina não irá participar do sorteio para as eliminatórias da Copa-2014, que acontece amanhã no Rio. Foi eliminada na fase pré-eliminatórias da Ásia ao empatar em Ramallah com a Tailândia por 2 a 2, depois de perder o primeiro jogo por 1 a 0.

Uma pena. Os palestinos sonhavam muito em ir à Copa do Brasil, adoram futebol, percebi isso quando fizemos o documentário “Sobre Futebol e Barreiras”, filmado no Oriente Médio durante o Mundial de 2010. Mas não têm estrutura e enfrentam vários problemas, inclusive para reunir o time, parte do qual está em Gaza, parte na Cisjordânia, parte em Israel. Têm vários desfalques e a seleção é um remendo. Coisas da política que interfere no futebol, por mais que alguns digam que não.

Se a Palestina já caiu fora, Israel estará presente. Participa do grupo europeu, pois no Oriente Médio e na Ásia vários países não reconhecem nem aceitam sua existência, o que fez Israel disputar as eliminatórias em todos os continentes. Jogou até na América do Sul e na Oceania, acreditem ou não. Agora está na Europa.

Gostaria muito de ver Israel na Copa de 2014 e não acho uma missão impossível, seja qual for seu grupo. O fato de atuar na Europa tem ajudado a melhorar o nível do futebol israelense, que conta com vários jogadores brasileiros.

A federação israelense montou um projeto que objetiva a classificação para a Copa de 2018, na Rússia. Ainda não crê na classificação para a Copa de 2014. É um projeto que conta com empresários de Jerusalém, alguns dos quais participaram de negócios para incentivar a produção artística na Cidade Sagrada e agora investem dinheiro no esporte, especialmente no futebol e no basquete, os dois preferidos dos israelenses.

Poucos sabem mas em Jerusalém existe um Laboratório de Artes e fortes empresas de animação que querem concorrer com as norte-americanas na produção de filmes 3D. Há espetáculos musicais de primeiríssimo nível, peças de teatro, laboratórios para criação de roteiros, estúdios de cinema de última geração. E agora um investimento mais forte no futebol, com a construção de centros de treinamento e a importação de mão-de-obra estrangeira para auxiliá-los na formação de novos valores.

Um dos problemas, no entanto, é tirar os atletas do Exército, já que todos em Israel são obrigados a prestar o serviço militar durante três anos _as mulheres durante dois. E isso prejudica o esporte e o futebol do país. Quando começam a despontar na carreira, alguns jogadores têm de parar durante três anos e perdem o ritmo e mil e uma oportunidades.

O curioso é que estão de fora do Exército os haredim, os ultraortodoxos, que podem ser considerados um câncer para a sociedade israelense. Eles provam que estudam religião em yeshiva, seminário judaico, e escapam do Exército. Muito conservadores e diria também preconceituosos, assim como muçulmanos e cristãos mais radicais, vivem às custas dos judeus seculares, que fazem de Israel o país pujante que é hoje.

Outra lástima que vejo, embora compreenda, é a não-participação dos árabes-israelenses no Exército. Uma lástima pois eles são israelenses. Mas como o governo tem medo que trabalhem contra o Estado judeu, acabam excluídos.

Se pensarmos que até 2030 os ultraortodoxos e os árabes deverão representar mais de 40% da sociedade israelense muita coisa deve mudar no país… Mas isso é uma outra questão, uma questão que foge ao futebol. O que sei é que ficarei na torcida para Israel fazer um bom papel nas eliminatórias, conseguir sua classificação, pois quero ver sua seleção, cujo uniforme azul é muito bonito, disputando a Copa de 2014 no Brasil. E ficarei na torcida não só porque minha avó materna era judia, embora não fosse sionista, mas porque gosto muito de Israel.



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