O choro de Cielo



Considero ridículo o gesto de Jason Dunford, sétimo colocado nos 50 m borboleta em Xangai, que colocou os polegares para baixo para protestar contra o ouro de Cesar Cielo, apenas advertido após ter sido pego em exame antidoping.

Que Dunford protestasse contra a Corte Arbitral do Esporte, contra a Fina, a federação internacional de natação, contra as autoridades, mas não contra Cielo. Que o brasileiro poderia ter sido punido com suspensão de três meses e ficado fora de Xangai, poderia. E talvez até tivesse sido melhor para ele próprio. Mas não foi suspenso, só advertido. Nadou e ganhou o ouro, mesmo pressionado por todos os lados.

Pressionado sim, porque nestas horas são poucos os que te esticam as mãos. Porque ele já foi julgado e condenado por seus colegas _e concorrentes_, pelo público em geral, pela mídia. E neste caso fica sem direito à defesa, não adianta falar nada. Tem que trabalhar e mostrar resultado na piscina.

O que sei é que é uma oportunidade de ouro para Cielo aprender sobre a vida, as pessoas, nossos altos e baixos, a mídia, a sociedade, a pressão e… a maldade. Porque ela existe e é grande. O que tem de gente torcendo para Cielo cair não está escrito. Mas há aqueles que torcem para ele tirar uma lição de tudo isso e crescer. Não digo como nadador, mas como ser humano. Ao contrário de Dunford, que preferiu atirar pedras, fico feliz pelo brasileiro. Que foi ouro, chorou e mostrou que é gente, pois o choro de Cielo pode ter sido tudo menos fingimento.



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