Beatriz Segall



A atriz Beatriz Segall, que completou 85 anos, foi entrevistada pelo “Jornal da Tarde”,  jornal do Grupo Estado que tinha a melhor seção de esportes no final dos anos 70, começo dos 80, e fez uma declaração importante. Ao falar sobre corrupção no Brasil e criticar nossos políticos, definiu-a dizendo que não se trata “só” do ato de roubar, mas de quem está despreparado para determinado posto aceitá-lo pois lhe convém pessoalmente.

Raramente vemos a meritocracia premiada no sistema público brasileiro, principalmente por parte daqueles que encabeçam os ministérios e, em vez de se cercarem de técnicos competentes, fazem as vagas serem ocupadas por políticos, parentes e amigos de políticos que podem lhes trazer benefícios futuros, inclusive mais força ao governo na Câmara e no Senado. Conhecemos bem a história do apadrinhamento…

Ele também se dá no esporte onde CBF e COB são geridos como se fossem empresas privadas, como se tivessem donos, já que seus presidentes se perpetuam há décadas no poder e podem empregar quem quiserem. O pior é que os dois comitês organizadores locais para a Copa de 2014 e os Jogos de 2016 são encabeçados justamente pelos dois principais dirigentes da CBF e do COB, o que, por si só, facilita possíveis e novos apadrinhamentos.

Vou deixar um pouco CBF e COB de lado, especialmente a CBF, da qual já tratei bastante nos últimos posts, para lembrar apenas um dos casos “malucos” da política brasileira. Não é que São Paulo tem um representante em Londres para estudar iniciativas da cidade para os Jogos Olímpicos de 2016? Pago pelos contribuintes paulistanos. Eu pergunto: Não deveria ser o Rio com um representante em Londres e não SP? Os Jogos de 2016 não serão no Rio? Mas o que o prefeito Kassab faria com seu amigo Walter Feldman, que saiu do PSDB e é seu aliado? Presenteou-o com pelo menos um semestre na Inglaterra, recebendo 12 mil reais por mês dos cofres públicos. E Feldman ainda reclama que é pouco pois a cidade é cara. Então que não fosse morar lá!

Feldman, apesar de ter sido enviado para a Europa por Gilberto Kassab, prefeito de SP, já se colocou à disposição do Rio para ajudar os cariocas no que for preciso. Pois deve ter percebido, assim como Kassab, que os Jogos de 2016 não são em SP… Ironia (minha) à parte, é um descalabro que, segundo Feldman, teve apoio de Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB. O que Feldman está fazendo lá pelos paulistas? Não consigo entender, como não consigo entender como o médico Jorge Pagura, que se meteu em confusão na gestão de Celso Pitta na Prefeitura de SP, voltou à política para comandar a pasta de Esporte do governo do Estado. Para sair logo em seguida, sendo sua demissão aceita por Geraldo Alckmin devido a suspeitas de receber dinheiro público da saúde sem trabalhar.

Como cansa falar dessas coisas _para mim cansa_ prefiro voltar a Beatriz Segall, que muitos ainda “confundem” com a  Odete Roitman, de “Vale Tudo”, novela que fez história no Brasil.

Ela é muito mais que isso. Excelente atriz de teatro, estreará em setembro em SP a peça “Conversando com Mamãe”.  No período da ditadura militar teve importante papel combatendo o regime. Seu então marido, Maurício Segall, que vem a ser filho de Lasar Segall e, como o mundo é pequeno, primo-irmão de minha avó materna, chegou a ser preso pelos milicos. E Maurício e Beatriz fizeram um movimento de resistência no Teatro São Pedro, que compraram nos anos 60, a década do golpe.

Numa das festas de família, lembro de Beatriz comentando que seria muito culta se tivesse guardado na cabeça tudo o que já havia lido. Eu também penso assim. Seria culto se tivesse absorvido tudo o que já li, pois sou um leitor voraz, quase compulsivo.

Lembro também de Oscar, irmão de Maurício e ex-cunhado de Beatriz, já falecido, corintiano roxo. Muitas e muitas vezes encontrei-o no Pacaembu quando criança, sempre rodeado dos filhos e torcendo para o Timão. Sujeito simples, que sabia aproveitar a vida, Oscar era uma figura culta e admirável, acessível e acolhedora.

A última vez em que o vi foi num aniversário na casa do Maurício, em que Beatriz estava presente. Ela continua aí, atuante, ácida, crítica, fazendo arte e reclamando dos políticos brasileiros, mas pena que Oscar já tenha partido.



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