Um homem do passado



Hoje, quando fui comprar a “Folha”, vi que a capa era de 21 de julho de 1997, 14 anos atrás, “para você ter ideia de como era o Brasil no passado”, conforme dizia o texto do jornal.

Foi com muito gosto que vi, lá no cantinho da página, chamada para uma matéria que fiz de Nova York sobre o assassinato do estilista Gianni Versace.

Na hora pensei: “O Brasil do passado (como dizia o texto do informe publicitário referindo-se ao ano de 1997) mudou tanto assim? E sou um homem do passado? Um jornalista do passado?”. Em parte sim, em parte não.

Ainda tenho receio das novas tecnologias, de tantas redes sociais, de aonde tantas inovações vão dar…

Até a escrita querem abolir _e já estão começando a fazê-lo_, o que me deixa pasmo. As crianças vão ser alfabetizadas aprendendo a digitar, a assinatura tende a virar um código de barras ou teremos que usar a digital ou qualquer coisa do gênero em seu lugar, as coisas avançam de maneira cada vez mais rápida e às vezes me sinto fora do mundo.

Só que o ser humano continua sendo… o mesmo. Que nasce, vive e morre. Por mais que muitos não queiram nem pensar nisso, morrem, sim. E é o que dá graça à nossa existência.

Abrindo a “Folha”, pensei que os problemas seguem os de sempre: corrupção, fome na África, Oriente Médio em constante conflito, bagagem que agora demora até 90 minutos para ser liberada em Cumbica, quando o padrão internacional prevê 18 minutos no máximo, superfaturamento em obras e… até o presidente da CBF é o mesmo!!! Em 1997 já estava havia 8 anos no cargo. Mais 14 se passaram e lá segue Ricardo Teixeira, todo prosa o dirigente.

Então pego o “Estadão” e leio no Caderno 2 que Steven Spielberg levará ao cinema “As Aventuras de Tintim”, que eu e meu irmão adorávamos ler quando crianças. Tínhamos a coleção completa. Bom saber que o herói, um jornalista que tem a companhia de seu cachorrinho Milou e foi criado pelo belga Hergé em 1929, segue firme e forte.

Sinal de que os tempos mudam, as tecnologias também, mas nem tudo é descartável. Se já há um movimento nas redes sociais pedindo a saída de Teixeira, a de Tintim não vi ninguém pedir. É legal saber que ele continua vivo e atual, tendo sido criado na primeira metade do século passado. Pois sua essência era bacana. E segue sendo. Nos novos velhos tempos que estão chegando. Ou seriam velhos novos tempos? Não sei. Sei que ele chega em 3D, mas não é que eu ainda prefiro acompanhar Tintim nos livros de capa dura? É, talvez eu seja mesmo de outros tempos, um homem do passado. O que não é ruim. Pois, como quase sempre, ainda prefiro nadar contra a corrente.



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