Os engenheiros da FEI



No início de junho, voltei de Nova York para o Brasil e, só pra variar, cheguei horas antes do embarque para evitar atropelos de última hora. Consegui me distrair lendo e conversando com um grupo de estudantes de engenharia da FEI, conhecida faculdade de São Bernardo do Campo.

Os universitários tinham participado de um campeonato de baja com mais de uma centena de faculdades estrangeiras e obtido, se não estou enganado, o sexto lugar. Fiquei empolgadíssimo e lhes dei os parabéns, mas estavam todos meio desanimados, pois esperavam chegar em primeiro.

Em 2004, 2007 e 2008, fora equívoco, a FEI tinha sido campeã, ou seja, obtido o tricampeonato mundial. Sinal de que a equipe é boa. E em 2011 chegou a estar na liderança até quase o finalzinho quando uma pequena peça pôs tudo a perder. Ou melhor, tudo não, o primeiro lugar, pois ficar em sexto acho genial. É o Brasil sendo respeitado  no exterior por um trabalho sério e de qualidade.

O veículo baja (ou mini-baja) é um protótipo de estrutura tubular em aço com quatro ou mais rodas, que tem os sistemas de suspensão, transmissão, freios e chassi desenvolvidos pelos estudantes, que ainda aprendem a ir atrás de apoio e parcerias para viabilizar a construção do “carrinho”.

O transporte para os Estados Unidos é feito com o maior cuidado e o empenho dos estudantes é impressionante.

No aeroporto alguns estudavam freneticamente, pois no dia seguinte à chegada ao Brasil teriam provas da faculdade e tinham perdido cerca de três semanas de aulas. A maioria não. Preferia conversar sobre a experiência.

Eles contaram as aventuras para chegar aos locais das provas, as tempestades que pegaram e devastaram cidades nos EUA, quase derrubando uma das vans que dirigiam, falaram da competição e já estavam pensando no veículo que preparariam para a próxima.

A próxima acontece no final de julho, dias 30 e 31, em Minas Gerais. Competição nacional. E os estudantes já animados com o baja que iriam projetar.

Conversar com o grupo foi animador. Porque a maioria das pessoas no embarque ficava com seus joguinhos eletrônicos, i-pods, cada um no seu universo particular, como se os demais passageiros não existissem. Já os futuros engenheiros interagiam, não vivem só de tecnologia.

Percebendo que todo mundo que estava voltando ao Brasil tinha comprado isso e aquilo, especialmente produtos eletrônicos que estavam baratíssimos com o dólar desvalorizado, comentei: “Deveria ter comprado alguma coisa também…” Então um dos estudantes perguntou: “Mas você precisa?”. E eu: “Não.” E ele: “Então fez bem em não comprar.”

Ele tem razão. Por que ter um computador do qual iria usar menos do que 1% de sua capacidade? Eu, que abomino o consumismo exagerado, iria comprá-lo só por estar barato? Não, este não sou eu, fiz bem em não comprar nada de que não precisasse. E não precisava nem queria nenhum eletrônico.

Não vou poder acompanhar a edição Sudeste da competição entre as faculdades brasileiras de bajas e mini-bajas, seja lá o que for… Mas certamente torcerei pela FEI.

Quero que volte no ano que vem aos Estados Unidos e mais uma vez, vencendo, ficando em sexto, décimo, o que for, pois acidentes e incidentes acontecem, que represente bem o Brasil. Nas pistas e no setor de embarque dos aeroportos. Porque esses engenheiros prometem. Prometem pois não vivem só de números, tecnologia e afins. Prometem porque são gente. E ganharam meu respeito e minha torcida.



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