Leite derramado



O mundo da ginástica artística e rítmica nos Jogos Olímpicos é extremamente competitivo. Como os demais esportes, é verdade, mas diferentemente da grande parte dos demais depende muito da cabeça dos jurados, que dão notas aos concorrentes.

A avaliação, por mais que digam que não, é subjetiva. Como a avaliação de uma escola de samba, de uma apresentação de música dita clássica ou popular, de um filme, uma obra de arte, um livro.

Daí a termos acusações de favorecimento a A ou a B é um passo.

Foi o que aconteceu em 2000, em Sydney, quando juízes da Federação Internacional de Ginástica receberam uma saraivada de acusações.

Quando vi as brasileiras se apresentando na ginástica rítmica, no Pavilhão 3 do Parque Olímpico de Sydney, pensei: “Lá vem medalha”. Nada.

Muito choro das meninas, muita reclamação, mas depois, ao escrever a matéria sobre a disputa, pensei que provavelmente os jurados tivessem razão e eu estivesse tomado pela emoção, pois gostei da música bem brasileira, da reação da plateia, torci por nossas atletas, o que não me torna um observador isento, mas será que entendo o suficiente para saber quem foi melhor ou pior? Conheço os critérios técnicos? Não e talvez _e muito provavelmente_ quem avaliou estivesse com a razão. Pois eu estava com… a emoção.

Emoção conta? Sim, mas o principal ainda são os critérios técnicos. Que não deixam de ter uma bela dose de subjetividade, claro, por isso tanta controvérsia com a atuação do Brasil que ficou longe do “pódio”.

O mesmo acontece na literatura.

Chico Buarque, que como boa parte dos intelectuais gosta de esporte e tem verdadeiro amor pelo Fluminense, envolveu-se em polêmica por conta do Prêmio Jabuti. Seu livro “Leite Derramado” fora o vencedor, apesar de “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, de Edney Silvestre, ter ganho como melhor romance, o que foi considerado uma contradição. Muita celeuma e as regras foram mudadas para a próxima edição.

Escrevo isso porque estou lendo e gostando muito da obra de Edney, mas “Leite Derramado”, de Chico, acho um trabalho excepcional. Excepcional mesmo. Já tinha lido “Budapeste”, também de Chico, e não tinha gostado. Li sem grandes expectativas “Leite Derramado”, há cerca de um ano ou pouco mais, agora não me lembro bem, mas recomendo a quem gosta de uma boa leitura. Como já recomendo, apesar de ainda não ter terminado, o livro de Edney, que devo terminar no final de semana.

Arte é muito subjetiva. O que é bonito para um não é para outro. E esporte é arte. É por isso que gosto tanto de um quanto de outro. Pois prefiro o mundo subjetivo ao objetivo. E desejo uma ótima sexta a todos. Grande abraço, João



  • Daniel

    Foi capa hoje no Caderno 2 o Chico. Vai lançar um novo “disco” dia 20. Ele merece essa e todas as homenagens do mundo, Daniel

    • janca

      Ainda não li a matéria, Daniel, mas vou dar uma olhada, sim. Abs. e valeu pelo comentário, Janca

      • janca

        Só pra voltar ao assunto, a subjetividade complica certas decisões e certas respostas. Terminei de ler “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, de Edney Silvestre, e não é que achei o livro espetacular? Quem não leu e gosta de leitura, recomendo. De verdade. É melhor do que “Leite Derramado”, de Chico Buarque? Não faço a menor ideia, pois os dois são bárbaros. E coincidência das coincidências, no do Chico o personagem principal vem de uma família quatrocentona, a Assumpção, cujo nome se escreve assim mesmo, como o da minha família. E no livro do Edney um dos personagens principais nasceu em 28 de fevereiro, data que, por razões pessoais, eu adoro. E um dos capítulos tem como título “28 de fevereiro de 2002”, um dia que foi especial para mim. Foi quando soube que seria tio de gêmeos, um menino e uma menina, duas crianças muito especiais.

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