Teixeira e a “Piauí”



E não é que a primeira reação de Ricardo Teixeira sobre o perfil que a revista “Piauí” traça a seu respeito foi positiva?

A competentíssima jornalista Daniela Pinheiro acompanhou o presidente da CBF em Zurique e em Brasília e trouxe detalhes de sua intimidade, um retrato impressionante que mostra um homem destruído pelo poder. Porque Teixeira diz que está literalmente cagando para a mídia, que faz e acontece, que a seleção e a CBF são suas e a repórter vai mostrando a visão de mundo e a realidade de um homem que assusta o leitor… Pois é real. Tão real que a primeira reação de Teixeira foi… positiva.

Mas, segundo um assessor da CBF e também de acordo com um de seus principais aliados, que por motivos óbvios não querem ser identificados aqui, Teixeira considerou a reportagem honesta e ao lê-la pela primeira vez se mostrou satisfeito.

Achou que mandou um recado à Globo, que teria de tomar cuidado ao criticá-lo, pois quando o fez teve de exibir um jogo da seleção às 19h30 atrapalhando toda sua programação, outro para os demais órgãos de imprensa, que dariam traço de audiência, para o governo, que tem de respeitá-lo pois ele é o tal, para os patrocinadores da CBF, lembrando que jamais investiriam numa seleção e numa entidade envolvida em corrupção, ou seja, que creem em sua inocência das acusações que lhe são feitas e são seus parceiros…

Enfim, Teixeira viu a reportagem como extremamente positiva e não retira uma letra do que foi escrito. Só não gostou quando Daniela Pinheiro escreveu que ele aparenta mais do que os 64 anos que tem. Parece piada, mas não é.

Diante da repercussão negativa da matéria para Teixeira, ele foi aconselhado a ficar um pouco na moita e trabalhar para melhorar sua imagem. Pois foi convencido de que a reportagem não pegou bem. Que há certas coisas que a gente pode até pensar, só que nunca falar. Mas Teixeira chegou a um estágio em que de fato acredita que está acima do bem e do mal. É um estágio perigosíssimo. Para ele e para o Brasil. Pois se acha o dono da Copa de 2014. A Copa, como a seleção e a CBF, são dele, pensa. Quando são do Brasil.

É por isso que Dilma deveria agir e interferir para mudar o comando do Mundial.  Que não pode ficar nas mãos de Teixeira. Que ele continue no comando da CBF e da seleção, tudo bem. Ops, quer dizer, tudo mal, mas que não se meta na organização do Mundial. O Ministério do Esporte está complacente demais e chega a ser subserviente em relação a Teixeira, como se a Copa fosse realmente dele e ponto.

Já chega o que estamos vendo no Ministério dos Transportes, há anos nas mãos da turma do atual PR, que mais parece o “Partido da Republiqueta”, quando o transporte é um dos alicerces da Copa de 2014… Não é nem deveria ser do PR, como a Copa não é nem deveria ser de Teixeira.

Mas entendo que é um vespeiro danado e dois problemas bem sérios para a presidente resolver. Vai perder o apoio do PR no Congresso? Vai intervir e brigar com Teixeira e, consequentemente, com a própria Fifa, que não aceita interferência do governo no futebol? Por mais complicado que seja, chegou a hora de Dilma dizer sim e enfrentar o PR, mesmo que isso atrapalhe seus planos no Congresso, e enfrentar Teixeira, fazendo força para tirá-lo da organização da Copa.

Até concordo com algumas declarações do dirigente da CBF, concordo quando ataca o ex-governador Garotinho que só quer abrir uma nova CPI contra a CBF por interesses que sabemos quais são, com as críticas às duas últimas CPIs do futebol, que teve parlamentares, como Aldo Rebelo, que só faltaram fazer reverência a Ronaldo, chamado a depor numa delas. Mas daí a termos Teixeira como o homem a gerir a Copa de 2014 são outros 500. Simplesmente não dá.

Como quem geriu o Pan não deveria gerir os Jogos de 2016, já que o Pan foi um fiasco em termos de estouro de orçamento e legado para o Rio. Precisamos de mudanças e fiscalização sem vistas grossas. Fiscalização de verdade. E não de parlamentares e dirigentes esportivos que estão mais preocupados com outras coisas, entre as quais, no caso dos primeiros, muitas vezes apenas aparecer para a plateia, do que em realizar dois grandes eventos tão importantes para o Brasil. Para o Brasil, reafirmo.



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