Atenas-2011



Os Jogos Olímpicos de Atenas foram realizados há sete anos. Foi um evento muito bonito, concentrado na periferia da cidade. Mas o legado e os custos para o povo grego seguem sendo discutidos, pois a conta da Olimpíada não vai fechar antes de 2024. E quem fica com o ônus é a população local.

Os gregos estão desesperados com as medidas de austeridade aprovadas semana passada, que devem aumentar o desemprego no país. A dívida do governo é superior a 300 bilhões de euros, ou seja, cerca de 130% a 140% do Produto Interno Bruto da Grécia _soma de todos os produtos e riquezas produzidos pelo país.

Os outros países da zona do euro, liderados pela Alemanha, querem que a iniciativa privada _leia-se os bancos_ assuma parte do ônus, já que a dívida é impagável e terá que ser refinanciada.

No refinanciamento _e é aí que entram os Jogos de Atenas-2004_ os ativos do governo devem ser privatizados. O próprio estádio olímpico irá passar para o setor privado. Do legado do evento nada, nada, nada ficará com o governo, que está literalmente quebrado. Nada ficará com a população. Mesmo melhorias no sistema de transporte público, que em parte também está passando para a iniciativa privada, devem ter um preço maior para o uso do cidadão comum.  Pois quem adquirir as concessões vai querer fazer mais dinheiro. O que não é fácil numa economia tão frágil como a grega. É, pelo jeito o transporte público na Grécia vai ser elitizado. Quem não tem dinheiro ou ficou desempregado que ande… a pé.

Sem falar na possibilidade de contágio para outros países europeus, especialmente os periféricos, que têm enorme dívida pública, situação parecida com a da Grécia. Dias difíceis esperam o Velho Continente daqui para a frente. Dias bem difíceis se seus comandantes não tomarem uma enorme providência. A Europa precisa de fortes lideranças políticas, mas alguém vê alguma no horizonte?



  • Luciano

    Estive na Grécia em maio e o legado olímpico mesmo antes destas medidas de austeridade já quase não existia. Transporte público um caos, táxi compartilhado, arenas desmontadas ou caindo aos pedaços, temos que ver se o mesmo não vai se repetir no Brasil, porque estive no Engenhão pro jogo de quarta e o estádio está de mal a pior. Você tem que ir lá pra conferir.

  • janca

    Oi Luciano, valeu pelo comentário, mas com todo respeito acho que também não é bem assim. Estive na Grécia em 2004 e pelo que apresentaram e me disseram o sistema de transporte público melhorou, sim, especialmente as linhas de metrô, aquele que não é subterrâneo e foi ampliado para os Jogos. Agora é que a coisa pode piorar se o preço subir mesmo, com possível privatização do serviço, e for elitizado, já com o desemprego em alta e o caos na economia o poder de compra da população cai. Sobre as arenas não sei te dizer, você que esteve em Atenas recentemente deve ter mais informações do que eu, mas algumas eram desmontáveis, o que acho lógico. E sobre o Engenhão tenho lido que o estádio anda de mal a pior mesmo, com goteiras, falta de manutenção, sem falar na localização que e ruim _e não há lugar suficiente para parar o carro, não é? Enfim, foi nosso principal legado pós-Pan… Pra você ver como são as coisas. Abs. João

  • janca

    Ops, e mais um adendo. Em 2004 o serviço de táxi em Atenas já era assim. O táxi era compartilhado por pessoas desconhecidas. Filosofia grega, que pelo jeito continua prevalecendo. Abs. de novo, João

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