Uma declaração gravíssima



Conheço o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., que considero uma pessoa extremamente gentil e simpática. Mas simpatia e gentileza são uma coisa, eficiência e eficácia no cumprimento das funções são outro assunto.

Na carta que escreveu ao Painel do Leitor da “Folha” de ontem há um trecho que me chamou a atenção. Ele escreve textualmente o seguinte: “O orçamento inicial do Pan (do Rio, em 2007), datado de 2002, foi mal dimensionado, tendo o governo assumido compromissos de outros entes públicos para evitar um fiasco.”

Isso é gravíssimo. É o ministro do Esporte dizendo que o COB e o Rio erraram o orçamento do Pan, que seria um total fracasso não fosse… a entrada da União com suporte financeiro. E ninguém faz nada? E quem organizou o Pan segue no comando dos Jogos de 2016? É a mesma turma que está aí!!!

O governo federal vai ter que entrar em jogo de novo _como já está fazendo_ para evitar fiasco em 2016? Cadê o planejamento? Qual será o real legado da Olimpíada, já que o do Pan foi praticamente nulo?

E o Pan, como os Jogos, foi feito com nosso dinheirinho. Pago com nosso suor. Chega de socorro da União. Quem paga por este “mal dimensionamento do orçamento” de 2007? Quem vai pagar por 2016? E por 2014, quando teremos a Copa e o orçamento dos estádios, como já demonstrou o “Estadão”, pode ser chamado de chute? Já que nem se trata de estimativa e é por isso que o preço sobe a cada dia?

 Uma declaração gravíssima escrita pelo próprio punho. Uma confissão do que todos nós já sabíamos. O Pan de 2007 causou um tremendo rombo nas contas do governo, já que de cerca de 400 milhões de reais seu preço subiu para… quase 4 bilhões. E disso sabíamos muito antes, em 2005 a revista do grupo LANCE! publicou uma matéria, da qual fui um dos autores, sob o comando do jornalista Marcelo Damato, que já alertava para o que estava acontecendo. O título era “Querida Encolhi o Pan”, se não me engano, estando o então prefeito Cesar Maia na capa.

Deu no que deu, vide agora a declaração do ministro seis anos depois da reportagem, quatro depois dos Jogos.



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