Jennings x Teixeira



No lançamento do livro “Jogo Sujo _O Mundo Secreto da Fifa: Compra de Votos e Escândalo de Ingressos”, o jornalista escocês Andrew Jennings não poupou críticas a Ricardo Teixeira, Joseph Blatter e cia., chegando a chamá-los de ladrões antes da sessão de autógrafos num shopping em São Paulo.

Indagado que pergunta faria ao presidente da CBF, se tivesse a oportunidade de lhe fazer apenas uma única questão, disse que gostaria de saber se Teixeira não tem vergonha do que fez com o Brasil e o povo brasileiro.

A resposta é fácil. Teixeira, certamente, diria que não, embora devesse ter vergonha sim por, entre outras coisas, estar gerindo extremamente mal a organização da Copa no Brasil _sem falar das denúncias de corrupção.

Mas Jennings, um jornalista investigativo que penetrou nas entranhas da Fifa depois de atacar a administração de Samaranch no COI, acaba com Blatter e seus aliados. Pude apenas dar uma olhada na obra, depois vou lê-la com calma, só que deu para sentir que o britânico tem esperanças de que Blatter não sobreviverá muito como presidente da Fifa. Na conversa com jornalistas e estudantes de jornalismo chamou a última reeleição do suíço, em junho passado, de uma grande farsa. E diz que os patrocinadores da Fifa estão p… da vida com a imagem mais do que arranhada da entidade e de seus dirigentes, atolados em denúncias de corrupção. Um mar de lama que não acaba mais.

Jennings diz ainda que tem ânsia de vômito cada vez que Teixeira dá um beijo em Jérôme Valcke, o secretário-geral da Fifa. Apesar de os dois quererem o cargo de Blatter, já que almejam suceder o suíço na presidência da Fifa, estão concatenados sobre a Copa no Brasil. Que vai dar muito dinheiro. Valcke pede urgência nas obras e Teixeira corre para o governo para pedir mais dinheiro.

Só que o autor de “Jogo Sujo”, livro da Panda Books, cujo diretor editorial é o brilhante jornalista Marcelo Duarte, tem gostado da posição de Dilma Rousseff. Acha que a presidente do Brasil tem evitado aparecer ao lado de Teixeira, deixando de posar em fotos com o dirigente e está abrindo os olhos para o que pode acontecer na Copa de 2014.

Para ele, não há necessidade de construir tantos estádios, isso interessa apenas para as grandes empreiteiras. E o povo brasileiro, bem, o povo brasileiro vai acompanhar a Copa… pela TV, diz Jennings. Porque os ingressos serão caríssimos e ficarão quase todos em mãos dos donos do futebol. Não do público brasileiro.

Mas há pontos em que discordo do jornalista. Ele pode não gostar de Havelange _e não gosta com toda a razão, aliás põe razão nisso_, mas admira seu antecessor, o britânico Stanley Rous, que comandou a Fifa de 1961 a 1974 quando perdeu a eleição para o brasileiro. Só que Rous não era flor que se cheire.

Rous comandou a Copa de 1966, na Inglaterra, vencida todos sabemos como… pelos ingleses. Recusava-se a aprender outras línguas pois achava que todos tinham que falar… inglês. Tinha preconceito contra o futebol africano e chegou até a cogitar fazer uma Copa só com países europeus mais Brasil, Argentina e Uruguai. Tinha um pensamento bem ultrapassado. Era Sir, o que não quer dizer muita coisa, mas para Jennings parece que quer… Rous não se opôs ao regime do apartheid na África do Sul e não era muito fã de Mandela.

Jennings prefere concentrar suas críticas nos alemães, suíços, argentinos e brasileiros, o que me deixa com um pé atrás. Apesar de reconhecer que é um baita jornalista, o que é indiscutível. Mas mesmo os grandes jornalistas não deixam de ser parciais, porque a neutralidade absoluta simplesmente não existe.



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