Medalhas olímpicas



Uma das discussões no COB é em relação ao número de medalhas que o Brasil deve conquistar em Londres-2012 e especialmente no Rio-2016.

Não acho que seja uma questão prioritária, não. Carlos Arthur Nuzman, ainda nos anos 90, dizia que queria fazer do Brasil uma potência olímpica. Até agora não conseguiu. Mas o Rio-2016 pode ser um momento importante neste processo.

Não estou me referindo ao quadro de medalhas, acho que o buraco é mais embaixo. No tocante às medalhas, Nuzman não gosta de fazer projeções. E acho que está certo. Mas li uma matéria na “Folha” recentemente que dizia que o COB previa o mesmo número de medalhas de Pequim-2008 em Londres-2012. Se repetirmos a atuação de Pequim estaremos bem. Só que insisto que essa não é a questão principal.

Então qual é, podem perguntar vocês? É usar o esporte como instrumento de inclusão social. Evidente que, ao ganharmos um ouro, a modalidade vencedora estimula mais e mais jovens a praticar o esporte em questão. Neste sentido medalha é importante, sim. Só que o principal é o país ter uma política esportiva. E isso não temos. E nem sei se vamos ter tão cedo.

Ando pessimista a respeito. Na esgrima, por exemplo, jovens que têm condições de se sair bem no esporte e numa competição olímpica estão treinando… na Itália. Porque aqui não têm adversários, não têm centros de treinamento como lá, o esporte quase não existe no país. O trabalho que deveríamos fazer era o de base. Sou contra apenas pequenas ações para ajudar atletas de elite. Elas podem auxiliar o país, ou melhor, o COB no curto prazo. Só que sem um trabalho de médio e longo prazo não sairemos do lugar.

E dinheiro público para isso não falta. Porque há anos o COB recebe um belo dinheiro das loterias _verba pública, portanto_ e as confederações pouco fazem com ele. Simplesmente não vejo um trabalho de massificação do esporte no país. E sem ele continuaremos no mesmo patamar. Oportunidade para mudar existe. E está concentrada em 2016.

Espero que os dirigentes não joguem a chance enorme que temos de usar os Jogos para ampliar a prática esportiva no Brasil, massificar várias modalidades que hoje praticamente não existem por aqui e utilizar o esporte, como tem sido feito com a música, como instrumento para inserir o jovem na sociedade e tirá-lo ou, dependendo do caso, não o deixar entrar na marginalidade, mostrando-lhe que podem haver outros caminhos.



  • Tarcísio Rezende

    Nuzman e Ricardo Teixeira, só no Brasilllllllllll! E depois fazemos piadas dos portugueses !

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