Gaza e Cielo



Tenho acompanhado o caso do doping de Cielo à distância. Prefiro não emitir juízo de valor nenhum, porque a história está confusa. Lamento apenas a declaração da diretora-adjunta de doping da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos), Sandra Soldan, segundo a qual se o Brasil não estivesse tão perto do Mundial de Xangai, que começa dia 24, o procedimento poderia ser diferente.

Em outras palavras, dois pesos, duas medidas. Mas ainda prefiro aguardar os acontecimentos, não quero julgar ninguém e Cesar Cielo tem todo o direito de se defender, assim como o fabricante, uma farmácia de Santa Bárbara, a cidade do nadador, que nega ter assumido o erro, conforme chegou a ser dito pela CBDA.

Mudando de assunto, uma das novidades da Flip neste ano será a presença do jornalista Joe Sacco, que aborda a questão Israel-Palestina em dois livros muito conhecidos, “Notas sobre Gaza” e “Palestina”. O trabalho de Sacco, obra feita em quadrinhos, é muito interessante. Ele faz importantes denúncias sociais e é um profissional de respeito, embora discorde de muitas de suas posições, especialmente quando trata de Israel.

Um dos internautas me chamou de sionista de m… ou qualquer coisa assim, mas insisto e vou continuar insistindo no direito de Israel de existir. O que não quer dizer que seja favorável ao governo israelense ou à política de assentamentos, pois definitivamente não sou. Defendo o diálogo e acho que Israel, a parte mais forte no conflito, tem de ceder para termos dois Estados viáveis _o israelense e o palestino. Mas os palestinos também têm de fazer sua parte e dialogar, não partir para a violência.

O que sei é que nunca chegaremos lá com a postura de muitos internautas, que não trataram do conflito no Oriente Médio propriamente dito, mas partiram para a baixaria numa discussão sobre o estádio do Corinthians. Não faltaram comentários preconceituosos, raivosos, racistas, de baixo nível, que infelizmente não levam a nada. Muito menos ao diálogo.

Mas infelizmente fazem parte do mundo do futebol e da sociedade brasileira e mundial. Porque na Europa, um dos berços da civilização, pensamentos assim também existem. A xenofobia e o preconceito contra os imigrantes representam uma tragédia social. Há muitos brasileiros e africanos que vivem na Europa e são vistos como cidadãos de segunda categoria. Uma pena, mas uma realidade que tem de ser combatida. Lá como aqui.



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