A seleção dos três Diegos



A Copa América começa hoje e deve mostrar a ascensão do futebol sul-americano. Tem tudo para ser das mais emocionantes dos últimos tempos.

O Uruguai, cujo futebol vinha caindo há algumas décadas, está de volta depois da Copa da África do Sul, em que chegou em quarto.

Lá foi o responsável pela melhor partida do torneio, quando bateu Gana nos pênaltis, num jogo repleto de emoções. Também fez uma sensacional disputa pelo terceiro lugar e mesmo na estreia, quando ficou no zero a zero com a França, atuou muito bem na defesa, mostrando que um jogo não precisa obrigatoriamente de gols para ser incrível e ficar na nossa memória.

Apesar do vexame do Peñarol na final da Libertadores, quando apelou para violência durante e depois da partida, pelo menos um time uruguaio chegou lá. À decisão do torneio mais importante de clubes da América.

E a Celeste tem um dos melhores volantes da atualidade, Diego Pérez, além de dois jogadores dos quais sou tremendo fã: o zagueiro Diego Lugano, a raça em pessoa, e o atacante Diego Forlán, que cai pelo meio ou pela esquerda, sabe marcar e finalizar como ninguém. Três Diegos que fazem a diferença.

O Brasil é outro que vem com tudo. Com Ganso, Pato e Neymar juntos seu ataque pode fazer estrago nas defesas adversárias. A primeira a enfrentá-lo será a da Venezuela, cujo futebol evoluiu muito nos últimos 10 anos. O time não é mais o patinho feio do continente. Hoje é mais forte do que Peru e Bolívia.

E a Argentina, por jogar em casa, pode ser considerada a favorita da competição que não vence desde 1993. Mas não só por atuar em seus domínios. Por ter o melhor jogador do mundo, Messi, que considero do mesmo nível de Maradona. É um craque com a bola nos pés e um craque sem a bola nos pés. Só sua presença em campo já intimida os rivais.

Tem ainda Higuaín, Tevez e Mascherano, mas enfrenta problemas internos que podem atrapalhá-la na briga pelo título. Disputa de egos, desentendimentos entre o próprio Messi e o ex-corintiano Tevez, as críticas de Maradona à Associação de Futebol Argentino e ao trabalho do técnico Sergio Batista, que o sucedeu no cargo, a queda do River Plate à Segunda Divisão e a rivalidade nas arquibancadas acirrada por conta disso…

E ainda o uso político do torneio pela presidente Cristina Kirchner, que vai mal no cargo mas quer um novo mandato.

Sem falar nas cifras que não batem. O Estádio Ciudad de La Plata, palco da estreia argentina hoje contra a Bolívia e do Brasil domingo contra a Venezuela, tem um gramado que pode ser retirado e recolocado em dois dias, embora a experiência tenha fracassado em dois testes e… Não se sabe em quanto ficou sua reforma. O valor oficial é de 164 milhões de reais, mas há quem diga que foram investidos mais de 500 milhões de reais nas obras.

É, brasileiros e argentinos têm muito em comum. Quem está organizando o Mundial de 2014 sabe disso. Lá como aqui, cifras, cifras e mais cifras que simplesmente não batem. Fechar a conta virou mistério e desafio maior do que jogar um bom futebol. Porque isso, querendo, os dois times podem fazer.



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