A crise do lanterninha



Voltando de Floripa, encontrei no aeroporto o time do Avaí, que viajava para Porto Alegre, onde amanhã pega o Grêmio.

Lanterna do Brasileiro, alguns jogadores eram cobrados por poucos torcedores presentes, que pediam para eles voltarem com os três pontos e começarem a sair desta situação mais do que incômoda.

Dois deles pediram mais esforço para o capitão William e seus companheiros.

Observando o embarque da equipe, pensei como os jogadores são constantemente cobrados e não têm preparo para lidar com tanta pressão. Lidar com pressão é muito difícil mesmo. Eu também tenho dificuldades. Mas eles são julgados a todo momento… E falta estrutura para encarar a fama, o assédio, as críticas, os aplausos, as vaias, os falsos amigos, os xingamentos, a lanterna…

O técnico Alexandre Gallo, contratado há duas rodadas e já com duas derrotas nas costas, era o mais procurado pelos repórteres. Na véspera reclamara publicamente do condicionamento físico de seus atletas. Emerson Buck, responsável pela preparação física quando o técnico era Silas e agora auxiliar de Elliot Alves, contratado por indicação de Gallo, ficou muito magoado.

Disse que o time está bem condicionado fisicamente, sim, e que a derrota para o Fluminense, na última rodada, foi de ordem tática, já que Gallo mudou o esquema do antigo 3-5-2 para o 4-4-2.

Se perder os dois próximos jogos, é possível que Gallo caia. E por mais que a torcida pressione, o seguinte, contra o Grêmio, que também precisa vencer pois está em má situação no campeonato e joga em casa, é das partidas mais complicadas para o Avaí.

Os jogadores, aparentemente, ficaram chateados com Gallo. E o que acontece no Avaí faz a gente refletir. O trabalho e o apoio psicológico aos jogadores são de extrema importância para qualquer clube da elite. Inclusive e principalmente nas divisões de base, em que a pressão e a cobrança já existem.

Também temos que ter muito cuidado com tudo o que falamos. Eu mesmo o que já falei de bobagem e me arrependi depois…

Mas um treinador deve refletir, quando aceita trabalhar num clube novo, quem vale levar, quem deve ser mantido, conhecer melhor o ambiente antes de palpitar, analisar o terreno, pois pode criar um mal-estar danado. Como aconteceu com Gallo no Avaí.



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