Quanto vai custar a Copa?



A resposta é impossível de ser dada. Nem o governo sabe quanto será gasto. A União trabalha com a hipótese _mais do que concreta_ de que se repita a experiência do Pan, quando o Rio imaginava gastar menos de 500 milhões de reais e acabou investindo, com ajuda do governo federal, quase 4 bilhões.

Antes de anunciar a intenção de flexibilizar as licitações e tornar sigilosos o orçamento e os gastos com o Mundial de 2014 e com os Jogos Olímpicos de 2016, a União percebeu que as cifras que tinha em mãos estavam bem defasadas.

Segundo planilha do Ministério dos Esportes, até a semana passada o investimento total previsto era de aproximadamente 24 bilhões de reais. Mas o governo federal trabalha com cifras muito superiores, que ultrapassam a casa dos 40 bilhões de reais.

Só com aeroportos, a intenção era investir quase 6 bilhões de reais. Os gastos, no entanto, podem ficar em 10 bi. Com os estádios, também se pretendia gastar pouco menos de 6 bilhões de reais, mas como todas as arenas estão aumentando seus orçamentos já se fala em mais de 8 bi.

O Maracanã, que deve receber a final da Copa, tinha sido orçado em pouco menos de 600 milhões de reais. A previsão oficial está em pouco mais de 900 milhões, mas o próprio governo trabalha com a cifra de 1,1 bilhão de reais porque, entre outras coisas, não incluiu estrutura de concreto e instalações elétricas na previsão de gastos.

O Mineirão, que briga para receber o jogo de abertura _Brasília está no páreo, São Paulo também, embora os paulistas tenham perdido fôlego nas últimas semanas_, tinha orçamento inicial na casa de 600 milhões de reais. As cifras já aumentaram cerca de 100 milhões. A Fonte Nova, na Bahia, subiu de 500 milhões para 600 milhões e agora está se aproximando dos 800 milhões de reais.

Mesmo o estádio do Corinthians, que segundo dirigentes da CBF não sai por menos de 1 bilhão de reais, tem números contraditórios. Andrés Sanchez, presidente corintiano, fala em 700 milhões de reais no máximo. Quem viver verá.

Como projetos de serviços em telecomunicações e saúde, entre outros, só devem ser apresentados em agosto, o orçamento da Copa, por mais que alguns queiram dizer o contrário, segue aberto.

Mesmo em setores como o de transporte, cujos projetos haviam sido finalizados e começam a ser modificados, os gastos devem subir dos atuais 12 bilhões de reais para 15 bi.

Apesar de não constar da pauta da Câmara no início dos trabalhos da semana, a questão do sigilo do orçamento e da flexibilização das licitações, aprovada na semana passada, é gravíssima. E ainda gera enorme discussão entre os parlamentares. Quem diria, enquanto Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que lutou contra a ditadura militar, hoje defende o sigilo, o também deputado ACM Neto (DEM-BA) é contrário, pedindo transparência, com um discurso muito mais lógico do que a da colega.

Implantar o sigilo é contrariar o que o próprio Lula prometera quando o Brasil se tornou sede da Copa. Que todos os gastos seriam divulgados para o público e o consumidor brasileiro. O ex-presidente mantém a posição, mas o governo Dilma Rousseff segue caminho oposto. Neste caso, segue mal. Se não sabe quanto vai gastar, que fiquemos sabendo das indefinições e, quando os investimentos forem feitos, que saibamos também os montantes, que instância do governo paga a conta, qual a participação da iniciativa privada, enfim, que haja transparência.

Se não ficaremos com o problema que o “Estadão” revelou sobre o estádio de Brasília, um dos que querem receber a abertura da Copa, que custará mais de 600 milhões de reais sem cobertura, gramado, traves, assentos e catracas. Dá para acreditar nos números apresentados? É assim que um orçamento sobe de 400 e tantos milhões de reais, como no Pan, para quase 4 bi… A história, infelizmente, se repete.



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