Como a Fifa pode mudar?



Na edição de hoje do L! saem algumas das declarações e opiniões do ex-secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger sobre a Copa no Brasil e os escândalos que atingem a Fifa.

Sobre o Brasil até que as opiniões do polêmico político, que está com 88 anos de idade e adora futebol, são interessantes. Concordo que os estádios deveriam ser construídos com dinheiro privado e adaptados à realidade do país e ao futuro que possam ter. Criar elefantes brancos não faz sentido. Só vai ajudar a rechear os bolsos dos empreiteiros, quando adaptações menores ficariam mais baratas e seriam mais lógicas. Mas não é o que a Fifa parece querer. A entidade que dirige o futebol mundial dá a impressão de ter virado uma enorme construtora. Quer obras e mais obras. Que exigem gastos e mais gastos…

Kissinger tenta fugir, é verdade, de questões mais espinhosas, como as que dizem respeito a possibilidade de a cidade de São Paulo não receber jogos da Copa, e diz estar confiante na capacidade de o Brasil organizar um belo Mundial, lembrando que a África do Sul conseguiu fazer o seu. O que não conta, porém, é que enquanto a Fifa faturou mais de 3 bilhões de dólares com a Copa africana, o país-sede contabiliza um prejuízo que pode chegar a 1,5 bilhão de dólares a ser quitado até 2025.

Cotado para atuar no processo de melhora da imagem da Fifa, Kissinger defende a ampliação do quadro eleitoral para a escolha dos futuros países-sede das Copas, diante da suspeita de compra de votos de membros do Comitê Executivo nas votações que deram o Mundial de 2018 para a Rússia e o de 2022 para o Qatar. Mas mesmo que todas as confederações passem a votar e não só os membros do Comitê Executivo, que tem apenas 24 integrantes, o que pode mudar? Aumentará o leque para possível corrupção? O que poucos sabem é que essa possibilidade chegou a ser cogitada nos anos 90, quando o Brasil, ciente disso e já querendo receber um Mundial, passou a trabalhar com federações de futebol do Leste Europeu, que também queria ganhar uma Copa _o que conseguiu agora com a Rússia.

Mas mudança real na Fifa só poderá começar a correr se houver limitação no mandato dos dirigentes. Não tem sentido nenhum a entidade ter um presidente que fique anos e mais anos no poder. Blatter, que trabalhava com Havelange quando o brasileiro dirigia a Fifa, está há 13 anos no comando da federação. Seu antecessor ficou 24. É o mesmo que acontece no Brasil. Na CBF, Ricardo Teixeira tornou-se manda-chuva em 1989 e já se garantiu na presidência da entidade até o Mundial de 2014. No COB a história se repete, ninguém tira Nuzman do trono.

Sem rotatividade de poder, com colégios eleitorais pequenos e nas mãos de quem está na presidência, que fica distribuindo favores a seus afiliados especialmente em vésperas de eleições, não há muita saída. Nem para a Fifa, nem para a CBF, nem para o COB, tampouco para o COI. Fica um jogo entre compadres. Que mesmo com escândalos e acusações acabam se acertando entre eles e jogando a poeira para baixo do tapete. Uma mudança real teria que começar aí: pela limitação no número de mandatos. Mais de oito anos no poder é inconcebível e só serve para minar a oposição. Sem começar por aí ficaremos dando voltas e no máximo tomando medidas paliativas. Que, mais uma vez, só servem a quem já está no comando.

 

 



MaisRecentes

A matemática do futebol



Continue Lendo

A melhor do mundo



Continue Lendo

Aprender a perder



Continue Lendo