WTorre é procurada para repetir ‘modelo Palmeiras’ e diz não



Allianz Parque é a casa do Palmeiras desde o fim de 2014

A WTorre, construtora que levantou o Allianz Parque e tem parceria com o Palmeiras, recebeu nos últimos meses consultas de vários clubes interessados em construir suas arenas. Por enquanto, nenhuma evoluiu. E há algo em comum em quem procura: a busca por um modelo de negócio parecido com o palmeirense (custos do estádio com a construtora e bilheteria 100% do clube). A WTorre respondeu “não” e dificilmente assinaria hoje um novo contrato nos moldes alinhados com o Palmeiras no fim da última década, entre Walter Torre e o ex-presidente palmeirense Luiz Gonzaga Belluzzo.

O Alviverde é o único no Brasil que conseguiu reformar seu estádio com custos exclusivos da parceira e tem toda a receita de bilheteria, algo que ajudou o clube a subir de patamar. A avaliação da WTorre, hoje, é que isso poderia ter sido feito de maneira diferente. O Palmeiras, neste caso, não tem do que reclamar: saiu de uma bilheteria de R$ 23,1 milhões em 2014, jogando no Pacaembu (exceção aos últimos dois jogos do ano), para uma de R$ 74 milhões em 2017, por exemplo. A renda bruta total no último “ano cheio” no antigo Palestra Itália, em 2009, foi de R$ 19,6 milhões. Nem com todas correções dá para comparar com hoje.

São três os pilares principais que a WTorre imaginou para reaver o investimento ao longo dos 30 anos de parceria: naming rights, camarotes e cadeiras. Os dois primeiros são considerados sucesso: a empresa fechou com a Allianz um acordo de R$ 300 milhões para batizar a arena por 20 anos e todos os camarotes hoje estão vendidos. Com relação às cadeiras, houve o impasse que foi parar em uma câmara de arbitragem, dando à WTorre o direito de comercializar apenas 10 mil dos 44 mil lugares. O resultado financeiro da construtora está abaixo do que se previa neste pilar.

A bilheteria continuaria sendo 100% do clube mesmo se todas cadeiras fossem da WTorre: o valor repassado ao Palmeiras seria em cima do preço médio praticado na temporada anterior, mas a construtora poderia comandar a forma de venda de todo estádio e lucrar mais. Hoje, ela negocia o “Passaporte” com as cadeiras que tem e vendeu apenas cerca de 2 mil planos – o sistema online atualmente mostra mais cerca de 4.500 à venda. O Palmeiras vende os seus pelo Avanti e também por meio do site Futebol Card. Mesmo com a arbitragem dando 10 mil cadeiras à WTorre, ainda há divergências não resolvidas.

A construtora pretendia, no início da parceria, reaver o dinheiro investido entre 12 e 15 anos do contrato. Mas uma visão realista agora projeta lucro só depois dos 20 anos. O última estimativa de gastos divulgados para a construção do Allianz Parque foi de R$ 660 milhões. A arena é uma das que mais recebe shows no mundo.



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