Um voo de Copa e a frustração de um ‘quase jogador’ peruano



Garotos argentinos jogam bola no aeroporto

Voo em Lisboa prestes a partir para Moscou, o coração da Copa do Mundo. Crianças argentinas gritam e se jogam no chão do saguão disputando uma aguerrida partida com “bolinha de meia”. Gritam por gols, defesas, desarmes. Carregam o nome de Messi nas costas. Tivesse a seleção do país toda essa vontade… Na espera há brasileiros com chapéus verde e amarelo, peruanos, mexicanos com sombreiros (onde eles NÃO estão?), russos, um casal de senegaleses em que a mulher veste a camisa de Sadio Mané, palavras em árabe de um outro grupo. É um voo de Copa prestes a subir, o mesmo que este jornalista pegou.

A entrada no avião revela que o grupo que fala árabe é marroquino. Falava francês também, e um deles se irritava com quem não o entendia. Com o copo de vinho na mão. Vamos deixá-los para depois. Estão viajando à Rússia com a seleção do Marrocos já eliminada, assim como Gonzalo Latorre, um peruano fanático por futebol. Latorre foi um “quase jogador de futebol”. Atuou no futebol de base de clubes pequenos no Peru até ser convidado, antes dos 18 anos, no início dos anos 90, a jogar pelo Sporting Cristal. O pai vetou o sonho e o obrigou a virar advogado, profissão que exerce e lhe a ajuda a pagar viagens para mais uma Copa do Mundo. O peruano entrou em tamanho estado de êxtase com a classificação para o Mundial que ousou em sua programação.

“Comprei ingresso para o último jogo do Peru, contra a Austrália em Sochi, e minha ideia seria seguir a seleção nas oitavas. Agora vou ver um amistoso né, uma pena, falhamos contra a Dinamarca. Vou conhecer Sochi e ver qual jogo me atrai mais depois”, contou Latorre, que se lembra da participação do Peru na Copa de 1982, mas considera a vaga de 2018 como a primeira vez. “Eu estava no estádio em Lima no dia da classificação (contra Nova Zelândia). Foi a maior emoção que vivi no futebol, uma noite mágica, o povo ficou pleno. As ruas ficaram lindas. Minha mulher me mandou dormir em casa e eu respondi: dormir depois que o Peru foi para a Copa? Foi incrível. Uma pena que depois de tanta espera o Mundial acaba tão rápido, dois jogos e acabou, em uma semana”, comentou o peruano, um dos milhares do país sul-americana que está na Rússia. Argentinos e mexicanos discutem seus erros e feitos, uns orgulhosos e outros temendo o vexame.

O jeito, ao peruano, vai ser curtir a Copa e esquecer que o Peru competiu tão bem, mas vai morrer na fase de grupos após perder de Dinamarca e França. Curtição esta que não deve ser a do grupo de marroquinos, agressivos contra argentinos que evitam confusão, comissários de bordo e fazendo barulho fora do tom em boa parte das cinco horas de voo entre Lisboa e Moscou. Um deles xingou um senhor argentino. É um voo de Copa, e nem tudo é positivo. Há quem não sabe aproveitar a rica experiência de conhecer novas culturas, trocar conhecimento com povos distantes, ser cordial e demonstrar respeito. Nesse trajeto de avião, a Copa do Mundo, do seu lado positivo, ficou representada: alegria, gente de toda parte do planeta, crianças, senhores. Tem sempre aquele chato brigão, o mala da piada preconceituosa. Na mini Copa do avião esse papel ficou com poucos marroquinos, como pode ser de brasileiros no bar ou estádio que você irá durante o Mundial. Infelizes existem de todas nacionalidades, mas são minoria.

 



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