Timão só precisa da ‘lição de casa’, Verdão precisa arrumar a casa



Guilherme Arana, o melhor jogador do Corinthians (foto: Jales Valquer)

O Corinthians conseguiu dar um baile no Palmeiras sem ficar com a bola, sofrendo 18 finalizações (apenas quatro certas) e dando apenas três chutes a gol. Números frios representariam pressão e domínio do time da casa. A realidade foi outra. O líder invicto do Brasileirão, absurdamente organizado, optou por deixar a bola nos pés do rival, que a teve por 61% do tempo. Mas poderiam estar jogando até agora que a rede de Cássio não seria balançada. Do 1 a 0 em diante, o Palmeiras se descontrolou, o fervilhante Allianz Parque foi “gelando” à medida que o cirúrgico Corinthians levava a partida como queria. Um banho tático, um show de organização e concentração de um lado contra o desespero do outro, que terminou com atacante na lateral, meia na defesa e zagueiro no ataque. Agora vem o “pós-Dérbi”, que fortalece ainda mais um e causa dúvidas e mais instabilidade no outro.

Do lado vitorioso, com incríveis 35 pontos, há um time que caminha para o melhor turno da história dos pontos corridos. Precisa apenas de 11 em 18 para superar os 45 do Palmeiras no returno de 2016. O melhor primeiro turno, de Cruzeiro-14 e Galo-12 (43), virá apenas com três vitórias nos três jogos em casa que restam contra Atlético-PR, Flamengo e Sport. O Corinthians é o melhor time da história em 13 rodadas nos pontos corridos (Atlético-MG tinha feito 32 em 2012). É o time que menos gols tomou em 13 partidas (cinco), superando o São Paulo de 2007, vazado seis vezes. São sete rodadas seguidas sem sofrer gols. O Timão conquistou a vantagem que lhe dá o direito de jogar como gosta daqui até o fim do Brasileiro.

O Corinthians tem 75% de aproveitamento em casa neste ano, com 13 vitórias, seis empates e uma derrota. Imagine que o time de Fábio Carille tenha o mesmo rendimento somente em Itaquera até o fim do Brasileirão: fará 27 pontos de 36 possíveis. Chegaria a 62 (75 pontos deve bastar para título). Estamos falando do melhor visitante do país em 2017, ignorando todos os pontos que o Timão ainda buscará longe de casa. O líder ainda não sabe o que é ficar atrás no placar no Brasileirão, e inevitavelmente terá de lidar com a adversidade em algum momento. O desempenho vai cair. A questão é que o desempenho pode cair e apenas a lição de casa basta ao time para chegar ao hepta nacional. Não se trata de “encerrar” uma disputa de 38 rodadas em 13, o que seria loucura. Se é fora da curva a campanha atual, será outro fato fora da curva uma derrocada. É claro que pode acontecer, mas já se torna improvável. A equipe reflete em campo a humildade de seu comandante, com discurso sereno e muito convicto do que faz.

Do lado perdedor, Cuca deixou claro em sua entrevista coletiva que não sabe o que fazer para recolocar o Palmeiras no eixo. O treinador tem o desafio de arrumar a casa até o dia 9 de agosto, data da decisão contra o Barcelona (ECU), sem se afastar do G4 do Brasileirão. Fato é que mesmo com futebol pobre em 2017, instabilidade política e planejamento torto, o Verdão sofreu apenas uma derrota neste ano no Allianz Parque (para o melhor time do Brasil), o que dá o alento de ainda ser copeiro. Mas é muito mais uma aposta no imprevisível que o futebol oferece do que aquilo que se vê em campo. O Palmeiras perdeu sua ofensividade e, pior, não encaixa mais a marcação individual que Cuca trabalhou com êxito no título brasileiro de 2016. São erros atrás de erros. Seis gols sofridos e apenas um marcado nos últimos três jogos, contra Barcelona, Cruzeiro e Corinthians. Jogos grandes, do nível dos que virão nas Copas. Seis derrotas em 13 rodadas no Nacional, o mesmo número que o atual campeão sofreu em 38 no ano passado. São 12 tropeços como visitante, o contraponto negativo para quem quer uma Copa.

O presidente Mauricio Galiotte está de férias no momento em que o time perde na Libertadores e apanha em casa para o maior rival. Ele entra em campo? Não. Mas o ambiente na Academia de Futebol não é mais blindado como era com Paulo Nobre, que tinha sua sala no CT (o atual despacha da sede social) e acompanhava de perto os passos de Alexandre Mattos. A humildade que sobra no rival para trabalhar tem faltado ao atual campeão brasileiro, que só vê em contratações soluções para os problemas. O Palmeiras não precisa mais de reforços. Precisa é trabalhar melhor em campo. Quase todos que triunfaram em 2016 seguem na Academia. Há qualidade, sim, para reagir.

O Corinthians dominado pelo Verdão em Itaquera em setembro do ano passado (2 a 0) estava muito pior, em todos os aspectos, do que está o Palmeiras após sofrer a mesma derrota para um líder rival. O cenário se desenhava catastrófico no Alvinegro. “Sem querer querendo”, Carille foi o técnico escolhido pela diretoria, trabalhou, organizou o campo. O Alviverde precisa reconhecer seus erros, colocar o pé no chão, entender que há limitações, mas também há potencial para mostrar um bom futebol. É com Cuca, outro profissional qualificado, com currículo e experiência para buscar a reorganização. Vai conseguir?



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