O timaço e a homenagem que fez Leão chorar



Ex-jogadores do Palmeiras recebem homenagem (foto: Thiago Salata)

Após 45 anos, Leão; Eurico, Luís Pereira, Alfredo Mostarda e Zeca; Dudu e Ademir da Guia; Edu Bala, Leivinha, César Maluco e Nei, além de Ronaldo, Polaco e Mário Motta, perfilaram-se como em 1972. Um time histórico que conquistou todos os cinco títulos que disputou naquele ano, entre eles o Brasileirão e um Paulistão invicto. A Segunda Academia reuniu-se novamente e recebeu aplausos dos palmeirenses, em homenagem feita pelo Palmeiras no jantar de 103 anos que o clube completou em 26 de agosto.

Quem tem história precisa valorizá-la. E o Palmeiras tem de sobra. Luís Pereira saiu da Espanha, onde vive, para reencontrar os amigos. Emerson Leão foi a uma festa de aniversário do clube pela primeira vez. Foi uma linda homenagem a ex-jogadores que montaram um dos melhores times da história do futebol. Os campeões de 1972 não seguraram a emoção. As lágrimas estavam nos olhos de muitos deles.

Nem Leão, figura que outras gerações se acostumaram a ver trabalhando como treinador do Palmeiras e dos três outros grandes de São Paulo, se conteve. O ex-goleiro foi o porta-voz do grupo em cima do palco, lembrou dos tempos em que ia de ônibus para o Palestra Itália, dos laços de amizade criados na Segunda Academia, brincou que Ademir da Guia, antes quietinho, agora fala sem parar. E chorou ao dizer que conheceu sua atual esposa, com a qual é casado há 41 anos, dentro do Palmeiras – ela é filha de uma ex-funcionária. Emerson Leão passa publicamente uma imagem de frieza. Sempre mais razão do que emoção. Convivi alguns meses com ele quando fui setorista do Palmeiras e, ele, treinador, em 2005/06. É difícil vê-lo emocionado, sempre falou de seu passado no clube com naturalidade, um certo desapego. Estar ao lado de esposa e de ex-companheiros numa homenagem foi algo que o “derrubou”.

Na era das informações instantâneas e das redes sociais, somos movidos pelo imediatismo. Nem vemos o tempo passar. As pessoas mal lembram o que fizeram na semana passada. Feitos são rapidamente esquecidos, ídolos muitas vezes não são reconhecidos na rua. Grandes profissionais são desvalorizados por, apenas, envelhecerem. É bom ver a história viva à sua frente. Os clubes precisam valorizar seus grandes ídolos em vida. Os mais novos devem se informar e entender melhor quem são aqueles que construíram a história de seu clube. Vale para o esporte, vale para o dia a dia. Seja no seu escritório, no seu prédio, na sua família. Os mais velhos sempre podem ensinar algo. E o tempo passa para todos.

Nasci em 1982. Não vi a Segunda Academia jogar. Mas desde pequeno ouço meu pai, José, falar das qualidades de cada um deles. O maior time que ele viu. Já li muito a respeito. Vídeos antigos podem mostrar a elegância de Ademir, o oportunismo de César e a habilidade de Leivinha. Vê-los reunidos me fez ter lembranças como se um dia eu tivesse visto aquele Palmeiras jogar in loco. Tudo o que já me contaram surgiu na memória quando eles se perfilaram no palco. História pura.



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