Os relatos (e imagens) de uma ‘quase tragédia’ no Uruguai



O sentimento dos palmeirenses que estiveram no setor de visitantes do estádio Campeón del Siglo é de quem escapou de uma tragédia, que felizmente não aconteceu. Vários “torcedores comuns”, que compraram suas passagens por conta e viajaram para torcer pelo Palmeiras, se misturaram aos organizados. Estima-se em dois mil o número de presentes. Os relatos de quem temeu pelo pior ao fim da vitória por 3 a 2 sobre o Peñarol são quase que unânimes: as torcidas organizadas presentes acabaram evitando a tragédia, fazendo a proteção que faltou por parte da segurança.

Três bombas foram lançadas pelos torcedores locais no setor dos palmeirenses. Duas antes do intervalo, e outra ao fim da partida. Chamou atenção de quem estava presente e de quem viu a confusão pela TV a ausência de policiamento. Havia apenas seguranças particulares, que inclusive foram filmados jogando cadeiras contra os brasileiros . “No primeiro tempo, com eles ganhando, os caras provocaram a gente. Provocação normal de estádio. No segundo, com a virada, nossa provocação irritou eles. Mas não tinha policiamento, na minha visão o grande problema era a falta de policiamento. Provocação mútua, sem policiamento. A torcida deles ficou irritada com o resultado, a nossa fez frente. Mas se não fosse a nossa torcida (organizada) para segurar, tinham invadido e matado a gente. Voou pau, pedra, barra de ferro… Até cuia de chimarão, caco de vidro”, relatou o palmeirense Renato Mauro Filho, engenheiro de 36 anos que mora na Pompéia e viajou para ver a partida pela Copa Libertadores.

“Não tenho influência em organizada, nem nada. Comprei a passagem com um amigo meu faz tempo para ir ao Uruguai”, contou Renato. Após o pau quebrar no campo, o clima esquentou na arquibancada. A TV mostrou um grupo de torcedores do Palmeiras segurando um portão que separava os setores. Em ampla maioria, os uruguaios tentaram invadir, mas foram contidos pelos brasileiros. Não foi o único lugar em que houve tentativa de invasão. Nos corredores de acesso, que a televisão não mostrou, mais palmeirenses seguraram um portão e impediram a maioria uruguaia de passar. “O estádio é de fácil circulação em volta dele. As torcidas ficam próximas, sem polícia”, disse Renato, que filmou o “pós-confusão” e também enviou ao blog um vídeo feito por um torcedor uruguaio do lado de fora da grade em que estava a torcida do Palmeiras (veja acima).

Uruguaios, torcedores do Peñarol, alguns da “barra brava”, contaram aos palmeirenses nesta quinta que houve tiros na parte externa do estádio durante a confusão. Uma arma de um policial teria sido roubada por um carbonero, como são conhecidos os “hinchas” do time do Uruguai. Durante a confusão, os palmeirenses tentaram se proteger no setor de visitantes e usaram redes sociais para tranquilizar familiares. Havia brasileiros das mais diferentes idades. Vários áudios circularam nas redes sociais já de madrugada. Em um deles, um outro palmeirense relata: “Deu medo, bastante medo. Por mais que eu odeie torcida organizada, a Mancha salvou a gente. Não fossem eles, a gente estava ferrado”.

“A polícia era bem despreparada, os primeiros que chegaram apanharam muito da torcida do Peñarol. Uns 15 ou 20 caras da Mancha botaram os caras do Peñarol para correr, iria ser um massacre. Fecharam o portão e seguraram a bronca. Bateram e tomaram, mas impediram que centenas de pessoas fossem trucidadas”, conta mais um torcedor do Palmeiras, em mensagem enviada logo após a confusão. “Se não fosse a Mancha não teríamos sobrado pra contar essa história. Foi heroico, sem eles estaríamos todos quebrados agora. Os seguranças abriram o portão que separava as torcidas”, postou em sua conta de Twitter o torcedor Fausto Rosa, produtor.

O jogo terminou por volta da 0h. Os palmeirenses, devidamente escoltados pela polícia, deixaram o estádio à 1h35. Saíram ônibus das organizadas, vans da Palmeiras Tour, agência oficial do clube, e outras vans de torcedores que se organizaram em Montevidéu. A maioria só chegou aos hotéis às 2h30. Obviamente, quase ninguém viu a briga entre os jogadores dentro do campo.

Não cabe aqui, neste momento, julgar a índole nem os antecedentes dos torcedores organizados. Tenho uma opinião formada, bem contrária à conduta deles de um modo geral. Não é preciso escrever que sou contra qualquer tipo violência: estádio é lugar de festa. O relato é jornalístico de um acontecimento. É preciso entender o que ocorreu no Uruguai, se colocar na situação e pensar as possíveis consequências. Felizmente, não houve graves feridos em uma triste madrugada após a uma linda noite de futebol.



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