A Crefisa não é Papai Noel



Leila Pereira e Mauricio Galiotte (foto: Agência Palmeiras)

O seu criador já é um velhinho, mas pode acreditar: a Crefisa não é Papai Noel. Não existe doação de dinheiro ao Palmeiras. Por maiores que sejam os valores, muito acima da média do mercado, e por mais que exista uma relação passional dos donos da empresa com o clube, algo que de fato há, ninguém joga dinheiro pela janela – lembre-se que a parceira alviverde negociou com rival São Paulo em 2015. O Palmeiras tem seus interesses, a Crefisa também. E há duas questões importantes. A primeira delas, que é óbvia, mas muita gente esquece: a exposição das marcas em uma camisa deste tamanho dá retorno financeiro à empresa. “A exposição de marca das nossas empresas na camisa do Palmeiras é arrebatadora”, definiu Leila Pereira, dona da Crefisa.

A Crefisa aumentou de tamanho nos dois anos em que esteve com sua marca ligada ao clube. Ganhou. Investiu para ganhar, é assim no mundo todo. E aí entra a segunda questão: o que mais ela quer ganhar nos próximos anos. José Roberto Lamacchia e sua esposa Leila estão ativos na política palmeirense. Dinheiro dá poder, e o poder no futebol seduz. Leila poderia estar curtindo a vida longe da mídia e da exposição, positiva e negativa, deste esporte. Decidiu participar da política. Será conselheira do Palmeiras e, quem sabe, presidente num futuro ainda não tão próximo.

Não dá para saber, hoje, como seria Leila, “novata” neste meio, na presidência do clube. O perigo é alguém que não entende do riscado achar que pode mandar no futebol. Ter dinheiro apenas não basta. Paulo Nobre só acertou a mão em sua segunda gestão, quando interferiu menos no departamento e o deixou na mão de Alexandre Mattos, profissional que chegou bicampeão brasileiro e hoje é tri, além de campeão da Copa do Brasil. A escolha por José Carlos Brunoro, baseada na memória afetiva da Era Parmalat, foi um desastre na primeira gestão. Como foram desastrosas outras tantas decisões tomadas por Nobre que quase levaram o clube à Série B mais uma vez em 2014.

Hoje, Leila é patrocinadora. Ganha dinheiro e coloca dinheiro. Quem decide o rumo do futebol são profissionais, que escolhem a melhor forma de gastar para obter resultados, que vieram em 2015 e 2016. Ninguém tem bola de cristal para saber quais serão as ações daqui a quatro, ou oito anos, se de fato Leila seguir carreira política no clube.

É fundamental para o Palmeiras não ser dependente de um patrocinador. A gestão Paulo Nobre não foi. É informação: o clube arrecadou, em 2015, cerca de R$ 120 milhões apenas com sua torcida: R$ 87,2 milhões em bilheteria e R$ 32,4 milhões com o Avanti, programa de sócio torcedor. Tirando despesas com jogos, o lucro foi de aproximadamente R$ 78 milhões. Os patrocinadores renderam naquela temporada cerca de R$ 70 milhões. Os direitos de transmissão de TV ficaram em R$ 88,4 milhões. Nenhum dos 12 grandes clubes do Brasil arrecadou tanto dinheiro com torcedores: o Corinthians, segundo da lista, somou cerca de R$ 90 milhões brutos (sem descontar despesas) ao fim de 2015. O balanço de 2016, com números de patrocínio maiores no Palestra Itália e bilheteria também, serão publicados até o fim de abril e, então, poderemos atualizar os números.

A Crefisa pode chegar a pagar R$ 100 milhões por temporada ao Palmeiras, em 2017 e 2018. Acordo anunciado como maior da América do Sul. Ainda é menos do que a torcida palmeirense colocou no clube (em valores brutos) no primeiro ano de contrato com a patrocinadora. Com 126 mil sócios, o Alviverde é o segundo neste quesito no Brasil, atrás apenas do Corinthians (135 mil). Quem gasta e não quer nada (financeiro) em troca é só o torcedor.

E ter ao lado a Crefisa, que conversou com um rival antes, é mérito da gestão palmeirense. É negócio. Como teve mérito também quem levou, por exemplo, a Parmalat ao clube nos anos 90. Incompetência de quem não se preparou para caminhar bem depois dela. Eram outros tempos, a ver os próximos…



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