‘Palmeiras azul’ x ‘Palmeiras vermelho’: clube multiplica receitas



Nobre e Prass com a taça de campeão brasileiro (foto: Marcello Zambrana)

O Palmeiras, de acordo com seu balancete de dezembro, fechou 2016 com superávit recorde de R$ 89,6 milhões. É quase nove vezes mais do que o resultado obtido ao fim de 2015, cerca de R$ 10,5 milhões. Foram os dois “anos de ouro” da gestão Paulo Nobre, tanto nos bastidores quanto no campo, com os títulos da Copa do Brasil e do Brasileirão. O clube, após empréstimos do ex-presidente que chegaram a R$ 150 milhões, reorganizou-se para buscar outras fontes de receita, como seu forte programa de sócio-torcedor, o Allianz Parque com bilheteria alta e o acordo de patrocínio com a Crefisa em 2015 e 2016.

As receitas do Palmeiras chegaram a R$ 497,8 milhões no último ano, contra R$ 351,4 milhões da temporada anterior. Só o departamento de futebol arrecadou R$ 443,1 milhões em 2016 (R$ 307 milhões em 2015), com um superávit de R$ 99,2 milhões. O balancete completo de 2016, ainda não auditado, será publicado até 30 de abril com o detalhamento das fontes de arrecadação – é claro que a venda de Gabriel Jesus ao Manchester City (ING) turbinou os cofres do Verdão. O patrocínio da Crefisa foi de R$ 78 milhões no ano. A premiação da CBF ao campeão brasileiro foi de R$ 17 milhões.

Paulo Nobre fechou seus dois primeiros anos de mandato, em 2013 e 2014, com déficits: R$ 22,6 milhões e R$ 27,6 milhões, respectivamente. O saldo dos quatro anos de gestão é de superávit: R$ 49,9 milhões. E a dívida do clube com seu ex-presidente está sendo reduzida a R$ 66 milhões (o LANCE! irá detalhar a questão nesta sexta). O Palmeiras mudou seu patamar após anos de péssimos resultados…

Antes de Nobre, apenas um ano em muitos foram positivos. Justamente o anterior, de 2012, com superávit de R$ 31,8 milhões. A rotina do clube era fechar sempre no vermelho: R$ 22 milhões negativos em 2011, 113 milhões em 2010, R$ 41 milhões em 2009, R$ 9 milhões em 2008, R$ 24 milhões em 2007, R$ 36 milhões em 2006, R$ 5 milhões em 2005… Curioso que uma das gestões mais deficitárias, a de Luiz Gonzaga Belluzzo em 2009 e 2010, foi também a que fechou o acordo que hoje rende milhões aos cofres: a parceria com a WTorre para a construção do Allianz Parque.

As receitas do clube no primeiro ano de Paulo Nobre, 2013, foram de R$ 176,8 milhões, o que representa apenas 35,5% da receita que o clube atingiu no ano passado. Se bem administrado, o clube tem tudo para seguir crescendo. É importante deixar claro que ter X de superávit num ano não significa ter X no caixa para sair gastando em reforços, como desejam os torcedores. São coisas diferentes. Mas hoje o Palmeiras pode investir alto no futebol, que arrecada muito, e pagar suas contas em dia. Para registro: clube social e esportes amadores em 2016 somaram quase R$ 10 milhões de déficit…

A Crefisa tem investido valores muito acima do mercado, motivada também pela paixão de quem a comanda. Atrair a Crefisa, que inclusive sondou um rival antes de fechar com o Palmeiras, é mérito. E a empresa, que não é dirigida pelo Papai Noel, também fatura milhões com a exposição de sua marca em uma camisa forte. É negócio. A parceira será renovada. Paulo Nobre saiu e daqui para frente veremos o trabalho de Mauricio Galiotte, atual presidente e ex-vice que assume o clube na melhor situação que um dirigente poderia esperar.



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