Quais são as ‘obrigações’ de Palmeiras e Flamengo?



Flamengo e Palmeiras em jogo pelo Brasileirão (foto: Cesar Greco)

“Libertadores virou obrigação”, dizem irritados palmeirenses. “Flamengo tem obrigação de ser campeão neste ano”, cobram os rubro-negros. É verdade que Palmeiras e Flamengo, dois dos clubes entre as três maiores arrecadações no Brasil em 2016 (ao lado do Corinthians) e favoritos às principais taças em 2017, não estão cumprindo suas maiores obrigações na temporada. Aí surge a “falsa obrigação”. A tal obrigação de ser campeão. Passam a ser cobrados por algo que não deveriam se pensarmos futebol com a mínima racionalidade. Não existe obrigação de ser campeão neste esporte, seja lá quanto você gastou. Existe obrigação, nos casos de Palmeiras e Flamengo, de se competir bem e no topo, em especial no principal campeonato do país, o Brasileirão.

Atual campeão brasileiro e campeão da Copa do Brasil há menos de dois anos, tratar título como uma obrigação no Palmeiras se torna algo ainda mais desconexo. Do lado rubro-negro, a pressão é natural para quem não levanta uma grande taça nacional desde 2013 e acumula vexames na Libertadores. O Flamengo, maior arrecadação do país em 2016 (R$ 510 milhões), precisa de um título de peso. E ele virá, cedo ou tarde, se o clube cumprir sua verdadeira obrigação: entregar o máximo possível em campo. O futebol apresentado está deixando a desejar e, por isso, é justo que o técnico Zé Ricardo seja cobrado.

As obrigações de Palmeiras e Flamengo estão principalmente no Brasileirão. Clubes com tais elencos não poderiam estar enxergando o Corinthians com binóculos na classificação, por mais que o líder de 2017 seja um detonador de recordes e dono da melhor campanha da história em 16 rodadas (40 pontos). Não se pode admitir distâncias de 14 pontos, no caso do Verdão, e de 12 pontos, no caso do Fla. A dupla não começou o Brasileirão com a pegada que se exige de clubes com tal investimento e a conta ficou alta. Só um será campeão – obrigação é manter esta porta aberta até o fim do campeonato.

O Palmeiras optou por colocar mata-mata como prioridade, tornou o Nacional secundário em julho, um erro crasso de planejamento. Agora tem de lidar com a dificuldade de se colocar todas suas fichas na temporada em eliminatórias (a Copa do Brasil já se foi). Não há obrigação em mata-mata, a tal da “obsessão” é apenas um canto de torcida. Obrigado o Palmeiras está a fazer um grande jogo contra o Barcelona (ECU), criar, pressionar o adversário e reverter placar de 1 a 0 adverso. Cuca está devendo pelo o que o Palmeiras tem jogado. Cuca também sofre com um clube que se planejou de forma errada e trocou de treinador em maio. Será um fracasso ser eliminado para o Barcelona, sim. Mas a partir daí, com o Santos pintando nas quartas, Grêmio ou Botafogo talvez na semi, é 50% a 50%. Obrigação? Apenas de se competir em alto nível.

O Flamengo chegou jogando menos do que espera à semifinal da Copa do Brasil. Terá um clássico. Pode acontecer de tudo. Uma noite boa, ou uma noite ruim, definem rumos num mata-mata. O Brasileirão se revolve em pontos corridos de maio a dezembro, e nisso o clube, sim, faltou com sua obrigação até aqui. O time não poderia ir para um duelo contra o Corinthians, em Itaquera, correndo o risco de ficar 15 pontos atrás na classificação. Pior ainda para quem já fez papelão na Libertadores. Zé Ricardo está obrigado a fazer o Flamengo jogar mais.

 



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