O que é preciso fazer para arrancar aplausos dos palmeirenses



Alberto Valentim ainda não perdeu como interino (foto: Cesar Greco)

O Palmeiras não venceu o Cruzeiro, mas saiu aplaudido de campo no Allianz Parque. Não é exagero dizer que foi uma das melhores partidas do Verdão no ano, até porque o bom futebol fez poucas visitas à Academia de Futebol em 2017, com Eduardo Baptista e Cuca. Escrevi após a eliminação do Palmeiras na Libertadores, em agosto, com o time 15 pontos atrás do líder Corinthians, que o mais importante para o clube nos últimos meses do ano seria jogar bem e recuperar o tempo perdido por erros de planejamento. A consequência seria terminar a temporada de maneira digna, na parte de cima da classificação.

Cuca fracassou. O bom futebol não apareceu e o técnico caiu oito jogos após o adeus ao torneio continental. Caiu na 27ª rodada, em 13 de outubro, com muito tempo para trabalhar e pouca evolução. Jogar bem é algo subjetivo. Afinal, o que é jogar bem? O time pode ter pouca posse de bola, finalizar pouco e jogar bem se conseguiu executar sua proposta de jogo. O Palmeiras jogou bem contra o Cruzeiro porque conseguiu sufocar o adversário no primeiro tempo, pouco foi ameaçado e foi criativo com a bola nos pés. Trocou passes com qualidade, abriu espaços diante de um dos técnicos que melhor monta defesas no Brasil e só não foi para o intervalo vencendo por uma infelicidade de Juninho e pelo absurdo gol de Borja anulado por Heber Roberto Lopes – seria a virada palmeirense para 2 a 1.

Não houve desespero com o gol contra logo no início dos mineiros. Houve problemas, sim, quando o Cruzeiro marcou o segundo na etapa final. Reflexo de uma nova forma de trabalho que tem menos de 20 dias, com jogadores mudando ainda um sistema de marcação. O Palmeiras não demorou a se reorganizar, mesmo com certa ansiedade em reagir, e buscou a virada até o fim, quando só conseguiu o empate. Jogar bem não significa vencer, mas te deixa perto do resultado esperado. O torcedor viu o Verdão jogar bem e reagiu com justos aplausos. Hoje, o mais provável é que o Palmeiras não seja campeão brasileiro. Há ainda cinco pontos de diferença para o líder Corinthians e, para ultrapassá-lo, será preciso manter um desempenho alto até o fim, jogando quase no “erro zero” (leia-se atletas e também arbitragem, que podem influenciar resultados, como aconteceu na segunda-feira). Erros, em jogos grandes, podem ser fatais até quando se joga bem.

É óbvio que internamente os palmeirenses trabalham com a meta de título. É difícil, mas é possível. O discurso de G4, na visão do elenco, é apenas uma estratégia compreensível para quem tinha o ano dado como perdido há pouco tempo e estava 17 pontos atrás do líder há dez rodadas. Não teria o menor cabimento o Palmeiras se colocar como candidato antes de encostar para valer no Corinthians. Por parte da torcida, virou uma brincadeira saudável, que tem feito rivais morderem a isca nas redes sociais.

Ficou claro que o Verdão perdeu tempo com o trabalho fraco de Cuca em 2017. Borja, apenas seis vezes titular no Brasileirão e tratado como um inútil pelo ex-treinador palmeirense, já tem seis gols, mesma marca, por exemplo, de Guerrero, do Flamengo. Só fez um a menos do que Pratto, do São Paulo. Borja tem suas limitações, mas em pouco tempo ficou evidente que o colombiano pode dar sua contribuição. Méritos de Alberto Valentim, que também voltou a dar espaço para Keno e melhorou o ataque: dez gols em quatro jogos com o interino. O treinador não é gênio por ter feito o Palmeiras melhorar em 20 dias. É alguém que já conhecia o elenco, tinha suas próprias ideias (mais modernas do que as anteriores), e começou a colocá-las em prática. O Palmeiras pode ir a campo em Itaquera e jogar mal. Normal para quem está com o terceiro treinador em 2017. Mas a possibilidade de ver o time jogando bem de forma constante é que faz o palmeirense se levantar e aplaudir. Se o time terminar o ano desta forma, sem ultrapassar o Corinthians, já estará ao menos de volta a um caminho que foi perdido na temporada e poderá ter mais clareza de ideias para iniciar bem 2018. Material humano e estrutura há de sobra.

Mesmo sem vencer o Cruzeiro, muitos palmeirenses deixaram o Allianz Parque animados com a possibilidade de uma virada no campeonato (repito, muito difícil) que seria histórica. Se o campeonato estivesse começando hoje, ninguém teria a obrigação de ser campeão. Mas quem teve o investimento do Palmeiras tem obrigação de ter um bom desempenho e disputar o título. O resultado de segunda-feira frustrou, mas o futebol apresentado não. Diferentemente de boa parte de 2017. Palmas.



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