‘Novos’ campeões mundiais, clubismo e canetadas



Zetti, ‘novo campeão mundial’, na ESPN Brasil nesta sexta

Hoje eu encontrei um novo campeão mundial. Tive a honra de encontrar Zetti, ex-goleiraço do São Paulo, momentos depois das duas novas conquistas, ao participar ao lado do ídolo tricolor do programa Bate-Bola Bom Dia, da ESPN Brasil. Dei os parabéns a ele por esses dois fantásticos títulos que demoraram quase 25 anos para serem conquistados. Imagina você esperar 25 anos por um título? Guerreiro Zetti! Acordou, enfim, bicampeão do mundo pelo Tricolor na manhã desta sexta. Estava orgulhoso. Jogou em 1992 e 1993 e só agora poderá dormir tranquilo e realizado. A emissora fez questão de tocar o hino são-paulino e parabenizá-lo ao vivo. Justa homenagem para quem sofreu tanto tempo por essa importantíssima chancela. Na era dos 140 caracteres e das multitelas, explico já no início deste texto antes que alguém não entenda e comece a xingar muito no Twitter. Piada! A tal oficialização da Fifa aos campeões mundiais de 1960 a 2004 foi tratada por Zetti, pelo programa e por este jornalista como ela merece: irrelevante. Uma tremenda bobagem.

O tricampeão mundial São Paulo Futebol Clube, corretamente, nem se manifestou. Grêmio, idem. Santos e Flamengo gastaram umas poucas linhas em tom de brincadeira. Todos campeões mundiais, há tempos. Desde que a Fifa organizou pela primeira vez Mundial de Clubes com equipes de todos continentes, em 2000, e depois a tornou anual, de 2005 em diante, há a estúpida discussão. “Entra lá no site da Fifa e vê”. Como se mudasse alguma coisa. Há torcedores, e até jornalistas, que levam isso a sério. O carimbo de uma entidade que se envolveu recentemente em escândalos de corrupção não vale nada. Quando a mesma Fifa quis valorizar o “novo Mundial”, desdenhou das conquistas de 1960 a 2004. Agora que se cogita uma mudança de formato e a volta do Intercontinental no Japão, ela oficializa. Conta outra.

Desde 1960, campeões da Europa e da América do Sul se enfrentam e quem vence é tratado pelos sul-americanos (torcida, imprensa e clubes) como campeão mundial. Festas incríveis foram feitas, cidades viraram madrugadas acordadas. Equipes fizeram grandes preparações para viajar. Campeões foram colocados nos memoriais dos clubes. Os jornais manchetaram: “campeão do mundo!”. A Europa não dá tanta importância? A Fifa ignorava? Paciência. São todos campeões mundiais por direito, no campo, em jogos históricos, times históricos. É bem inexplicável a tara de alguns pela tal chancela da Fifa.

A crítica a tal comportamento bizarro, com um toque de vira-latismo, vale também para diretores do Palmeiras que nos anos 2000 levaram documentos à entidade na Suíça para oficializar a Copa Rio de 1951 como Mundial de Clubes. Exibiram um pedaço de papel há alguns anos como se ele fosse necessário. Constrangedor. Discussão banal que se alonga e dá preguiça. Só deram munição a rivais, que criaram a brincadeira o “Palmeiras não tem Mundial”. Os palmeirenses em 1951 se sentiram campeões mundiais? Ponto. Conte esta história, esqueçam o que diz a Fifa e a nomenclatura do torneio.

Vale o mesmo para o clubismo sem fim nas discussões sobre o oficialização promovida pela CBF para unificar Taça Brasil e Robertão aos Campeonatos Brasileiros de 1971 em diante (a bizarra cena de dirigentes carregando micro-taças é inesquecível e patética). As conquistas pré-1971 foram enormes, de verdadeiros campeões do Brasil, e não importa a caneta de um dirigente anos depois. E para o clubista, quando lhe convém, é válida a oficialização. Quando não, é “fax”. Parar um pouco e tentar entender a história do futebol, suas diferentes épocas, seja com seu clube ou não, dá muito trabalho… Há coisas muito maiores do que carimbos, chancelas e reuniões de dirigentes no ar condicionado movidas sempre a interesses financeiros. Vamos evoluir!

Ouvi de um são-paulino bem-humorado: “vamos bordar mais duas estrelas na camisa, agora é penta!”. Não dá ideia, hein…



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