Que loucura, Palmeiras! Era óbvio, Palmeiras!



Mauricio Galiotte demitiu Baptista para ‘corrigir rota’

O Palmeiras, campeão brasileiro, reforçado e estruturado, não pode trocar de treinador no começo de maio. E isso não é uma defesa ao técnico Eduardo Baptista. É a constatação de um erro no qual está inserida a própria escolha. A diretoria se viu em uma sinuca quando Cuca, ídolo e campeão brasileiro, saiu por vontade própria em dezembro. Vive, hoje, com o mesmo Alexis Stival contratado, uma situação, para ser claro, um tanto quanto bizarra. Vamos por partes.

Era óbvio que uma sombra iria pairar sob qualquer novo treinador. “Nós contratamos o Eduardo com convicção”, afirmou o presidente Mauricio Galiotte. Nem tanto. Mano Menezes e Roger estavam à frente na lista de preferência de Alexandre Mattos. O primeiro, inviável, não deixaria o Cruzeiro. O segundo, livre, não fechou pois Mattos demorou a acertar a renovação com o Palmeiras e nesta espera o Atlético-MG contratou o ex-treinador do Grêmio. Surgiu Eduardo Baptista, que assumiu já contestado pela torcida. E a história mostra que comandar o Palmeiras sem aceitação da arquibancada não é fácil. Basta ver os nomes que conseguiram vingar na Academia em décadas…

Mano, campeão e experiente, teria casca para o atual momento do Palmeiras. Roger talvez vivesse os mesmos problemas de Eduardo. “Nós acertamos e erramos. Todos tem parcela de culpa. Quando não acerta, tem de agir. Avaliamos que é o momento de agir, acerto e erro fazem parte do dia a dia. Tem de agir para corrigir a rota”, afirmou Galiotte. Trocar em maio é o atestado do erro. Baptista, dedicado e com qualidades, não tinha tamanho para o cargo. E isso é claro desde janeiro. Quantas vezes você não ouviu palmeirenses dizerem “esse aí não vai durar”? Todos já sabiam o fim, só não sabiam a data do fim.

Quando um clube se torna vencedor, ele quer ser ainda mais vencedor. Não importa que esse clube tenha passado por anos recentes terríveis. A lógica seria a calmaria, mais paciência, após um gigante título brasileiro. A realidade é de cobrança para ganhar a Libertadores antes mesmo que ela termine, se é que você me entende. Há palmeirenses que acham que o Palmeiras é uma constelação, uma máquina que deveria sair atropelando rivais como em 1996. Não é. E, de novo, isso não é uma defesa a Eduardo Baptista, mas uma constatação do que cerca o Alviverde hoje. E também vamos ser justos que, no estádio, sempre lotado, a grande maioria tem ido para apoiar a equipe.

O erro na escolha e contexto do clube não querem dizer que a demissão não seja compreensível. Os resultados, que no geral são bons, não derrubaram Eduardo. O desempenho, que vinha melhorando, mas despencou no último mês, o derrubou. Foram poucos momentos em que o futebol apresentado agradou neste ano. A então melhor defesa do Brasil ruiu. O Palmeiras tomou dez gols nos últimos cinco jogos contra Peñarol (duas vezes), Ponte Preta (duas vezes) e Jorge Wilstermann. É o mesmo número de gols sofridos pelo Verdão nos 16 jogos anteriores. Duas vitórias épicas contra os uruguaios mantiveram o Palmeiras na liderança da chave na Libertadores. No Paulistão, não deu tempo de recuperar.

O Palmeiras teve o desempenho que o torcedor espera nos clássicos contra o São Paulo e Santos, nas quartas de final do Paulista contra o frágil Novorizontino e em dois segundos tempos contra um também fraco Peñarol. O trabalho parou de evoluir. Ao contrário, regrediu de maneira abrupta no mês de abril e não dava sinais de que o futuro poderia ser diferente. Era aquele fim óbvio citado no começo do texto se aproximando. O destempero do treinador na entrevista coletiva em Montevidéu não era bom sinal. Por mais que tivesse suas razões, o tom foi acima. Um descontrole que não cabe para o cargo. Curioso que a reação desproporcional agradou o torcedor que ama odiar a imprensa. Mas só aquilo não bastaria para conquistá-lo. O desempenho na Bolívia mais uma vez expôs os problemas defensivos e as substituições confusas.

Caiu Eduardo, e só havia um nome para satisfazer a tal “coletividade palmeirense”: Cuca. Pense friamente na bizarra situação. O Palmeiras conquistou seu título mais importante neste século, formou um ídolo no banco de reservas. O técnico escolhe sair em dezembro e volta em maio como salvador. Vai remontar um trabalho que outro tentava modificar. Loucura completa. Louco como é o Palmeiras, dizem alguns torcedores. Não faz sentido algum Cuca ser esperado já no início de maio na Academia. E está sendo esperado pelo palmeirense como o catalão esperaria Guardiola no Barcelona. Não é bem assim. Cuca é excelente treinador, mas o contexto é bem diferente do ano passado, quando todos se uniram com um técnico de difícil relacionamento em prol de um objetivo maior: o Brasileirão. Cuca não é mais um treinador que busca seu primeiro nacional. Cuca chega como ídolo, rei para a torcida. Poderoso. O elenco mudou. Mas, é verdade. Não existe nenhum outro nome capaz de saciar os torcedores. É pagar para ver. Cuca volta, em maio, carregado pela torcida. Que loucura!



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