A função do árbitro de vídeo não é zerar polêmicas



Sandro Meira Ricci voltou atrás na última rodada (foto: Celso Pupo)

A cada lance polêmico que divide opiniões, surge uma incompreensível gritaria contra o uso do árbitro de vídeo no futebol brasileiro. “Tá vendo! Não vai resolver nada!”. Como se a implantação da tecnologia tivesse como objetivo acabar com qualquer tipo de polêmica. É impossível acabar com polêmicas num esporte que tem lances interpretativos. Sempre haverá divergências. Mas estamos em 2017 e é possível diminuir tais divergências, eliminar marcações escabrosas e tornar o futebol mais justo. Não tem a ver com encerrar de uma vez por todas as discussões, algo utópico. Tem a ver com aumentar a possibilidade de acerto para o árbitro.

Se gols escandalosos com a mão, ou absurdos impedimentos, pararem de ser validados, ótimo! Evoluímos. Haverá ainda assim lances que serão revistos e, mesmo assim, gerarão discórdia entre analistas e torcedores. Ao menos quem apita terá mais recursos para decidir e isso torna o jogo mais honesto. Basicamente, o árbitro de vídeo precisa ser oficializado porque: 1) vai minimizar erros 2) já há suspeitas do uso por vias tortas. Não dá pra brigar contra tecnologia.

Outro argumento contrário ao vídeo, fácil de derrubar, são as queixas a possíveis longas paralisações da partida. Como se hoje jogos não ficassem longos minutos parados em marcações polêmicas. Vide o jogo entre Sport e Vasco, em Recife, onde Sandro Meira Ricci marcou um pênalti absurdo contra os cariocas após a bola bater no peito do defensor vascaíno. Perdeu-se muito tempo entre reclamações, consultas a auxiliares e correção do lance, sabe-se com qual base. Com vídeo oficializado, um minuto bastaria para a arbitragem tomar a óbvia decisão sem gritaria por ambos os times.

“É chato demais, vai acabar com o futebol, com a alegria. Vai parar o jogo demais, vai ficar chato”, afirmou o técnico Fábio Carille, do Corinthians, recentemente, mostrando-se contra a tecnologia. Realmente dá uma alegria imensa ver um time escandalosamente prejudicado. Chato já é ver um gol de mão alimentando discussões por dias e dias quando isso seria facilmente evitado com uma revisão.

O que vai “acabar” com o futebol é a insistência em não melhorá-lo. Para melhorá-lo, é preciso que a implantação do árbitro de vídeo seja feita com critérios, caso contrário quem está gritando contra o seu uso irá berrar ainda mais. “Tá vendo! Tá vendo!”. Piada pensarem em usar com o Brasileirão em andamento, desnivelando a disputa. A regra precisa ser igual do início ao fim.

 



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