Dias inesquecíveis que não parecem reais



A linda cerimônia em Medellin (foto: LUIS ACOSTA / AFP)

A linda cerimônia em Medellin (foto: LUIS ACOSTA / AFP)

Sempre que falamos de um dia inesquecível lembramos de algo bom. Férias inesquecíveis. Um título inesquecível do seu time. O inesquecível dia do casamento, ou do nascimento de um filho. Infelizmente, dia inesquecível também pode ser ruim. O dia 29 de novembro de 2016 já é inesquecível. Esses dias são inesquecíveis. Dias inesquecíveis que não parecem reais. Mas você se lembrará para sempre.

Você não irá se esquecer como acordou, quando ficou sabendo e como reagiu ao ficar sabendo da tragédia. Não está fácil trabalhar numa redação esportiva desde então. E esse é um problema microscópico para nós, que aqui estamos firmes e fortes, enquanto centenas de pessoas choram a perda de familiares. Nem queria escrever nada a respeito, para ser sincero. O que importa este blog? Nada. Mas são tantas ideias se misturando na cabeça que resolvi transformá-las em linhas…

As pessoas estão tristes. Há pouco clima para ir ao bar, encontrar amigos. As tentativas de desligar a cabeça e se entreter com coisas boas logo se tornam inúteis quando se volta à realidade. Uma realidade difícil de se aceitar. Admiro profundamente colegas de profissão que desde as primeiras horas depois da tragédia mostram enorme competência em estar ao vivo numa televisão. Se trabalhar com a escrita não está fácil, colocar a cara na tela, então. Pior ainda na mesma tela que era dividida com companheiros que partiram junto com a delegação da equipe catarinense. Acho que não teria capacidade para tal.

Estamos vivendo a maior tragédia esportiva desses tempos. As histórias que ouvíamos e líamos sobre o Torino (ITA) de 1949 agora estão na nossa frente, com gravidade ainda maior. Alianza Lima (PER) de 1987, The Strongest (BOL) de 1969, Manchester United (ING) de 1958 agora estão na história, tragicamente, junto com a Chapecoense de 2016. Dias inesquecíveis que não parecem reais.

A comoção mundial foi impressionante. O lado positivo, apesar de ser muito cruel falar em lado positivo, é ver solidariedade. Simplesmente espetacular o que os colombianos de Medellín estão fazendo, desde o imediato oferecimento do título da Copa Sul-Americana à Chape até a inesquecível cerimônia da noite de quarta, no Atanasio Girardot. Exemplo de humanismo. Gestos que emocionaram.

Cruel demais a Chapecoense ter sido coadjuvante de um dia de festa do Palmeiras dois dias antes de ser protagonista de uma tragédia. Cruel demais ter visto Caio Júnior no programa Resenha, da ESPN, feliz da vida no domingo de noite com a proximidade de uma final histórica. Cruel demais o treinador ter festejado a coincidência da tabela de fazer o time vir a São Paulo, o que facilitou a logística para seguir a Medellín. Cruel demais ver Kempes fazendo piada com o piloto num vídeo na escala na Bolívia. Cruel lembrar que o pé de Danilo, então salvador, foi o passaporte para um voo da morte. Cruel ver tantos jovens jogadores e jornalistas, com lindas famílias, partirem de maneira tão brutal.

As reações das pessoas mostram que há muito mais pessoas boas do que ruins no mundo. Se as redes sociais escancaram a podridão humana no dia a dia, elas também acabam com fronteiras em momentos como esse. A vida segue para quem ficou e felizmente há muita gente do bem ao redor dos parentes, os que precisam de maior cuidado neste momento, para dar conforto. Nunca será “apenas futebol”. O futebol era a vida de um time guerreiro que viajou em busca de um sonho. Aos oportunistas que já olham na tragédia uma oportunidade de tirar alguma vantagem, fica o desprezo. São minoria. São lixo.

A Chapecoense irá se reerguer. A partir de hoje, sou sócio-torcedor contribuinte do clube. A quem se interessar, fica aqui a sugestão e o link. Dias inesquecíveis que não parecem reais. A imagem daquele vestiário em festa gritando “vamo, vamo, Chape” nunca sairá da minha memória. #forçaChape



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