Cuca agita a água de um Palmeiras mal planejado



Cuca e Felipe Melo na Academia (foto: Cesar Greco)

“Às vezes é bom dar uma mexidinha na água, água parada não faz muito bem, não”. A frase é de Cuca, após polêmica com o atacante Barrios, durante a campanha do título brasileiro de 2016. O técnico irritou o paraguaio, do qual não é fã, ao dizer que o atleta estava sem foco no clube por conta de propostas. O fato é que, com quase três meses de trabalho em sua volta ao Palmeiras, a água estava estranhamente parada na Academia de Futebol no que diz respeito à postura do treinador. Bastou a eliminação na Copa do Brasil para Cuca dar aquela agitada característica.

Em dia de reunião entre presidente e elenco no clube, o técnico afastou Felipe Melo da partida contra o Avaí e abriu as portas para uma saída do volante. Está claro desde a volta de Cuca que o treinador não é fã do futebol de Melo. A questão era como limar um jogador de renome, personalidade forte e em alta com boa parte da torcida por conta de suas ações e declarações. Do lado do atleta, a versão é que não houve discussão e sim uma conversa de questão tática. É sabido que Cuca é adepto da marcação individual e gosta de volantes “caçadores”, estilo o qual Felipe não se encaixou após anos de Europa atuando em marcação por zona. Felipe não tem a velocidade que Cuca deseja. Se houve ou não briga, fato é que as partes não se bicam. O técnico sabe que o jogador não ficará “manso” no banco e resolveu agitar de vez a água ciente de que o destino mais óbvio é a saída do atleta (tem cinco jogos no Brasileirão e pode reforçar qualquer rival no mesmo campeonato).

O desencontro é mais um capítulo de um ano mal planejado do Palmeiras. Como pode um titular de uma decisão na quarta-feira ser afastado na sexta? Alguém errou muito, seja o jogador por algum comportamento ainda não revelado, seja o treinador por mandar a campo alguém que não confia num jogo importante. Certo é que a diretoria errou bastante ao contratar jogadores para trabalhar com um contestado Eduardo Baptista e depois jogar as peças na mão de Cuca, de estilo completamente diferente, com outra visão de futebol. Rompeu-se um trabalho que já começou pouco promissor por conta do nome inicialmente escolhido e achou-se que a varinha mágica do treinador campeão brasileiro resolveria tudo em dias. A diretoria foi populista e agora precisa contornar já esperados problemas. Cuca x Felipe Melo gera ecos divergentes entre torcedores. A menos de duas semanas do agora jogo mais importante da equipe no ano, dia 9, no Allianz Parque.

O planejamento do Palmeiras é uma lástima e o trabalho de Cuca em três meses é fraco. O time não encontra um padrão, defende e ataca mal, com altos, muito mais provocados por individualidades, e baixos. Ainda assim, o elenco tem qualidade suficiente para manter o Verdão, mesmo que a duras penas, na parte de cima da tabela do Brasileirão. Tal qualidade pode, apesar dos erros do departamento de futebol, comandando por Alexandre Mattos, dar algum alento à torcida na Copa Libertadores. É mata-mata e tudo pode acontecer, seja contra Barcelona (ECU), Santos, Grêmio, Botafogo… É pau a pau, o mata-mata muitas vezes tem esse poder de esconder planejamentos mal feitos e trabalhos ruins. Nos pontos corridos já ficou bem claro que o Palmeiras errou bastante em 2017. Basta olhar a distância para o líder, posição que o Verdão não tinha a obrigação de ocupar, mas tinha o dever de estar bem próximo, jogando melhor com um turno já se acabando.

A ver as reações de torcida, do time em campo e dos companheiros de Felipe Melo daqui em diante. Seria prematuro arriscar se o afastamento é bom ou ruim em termos técnicos e de ambiente. De certo, é mais uma consequência cantada para um clube que chega a agosto desordenado.



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