Corinthians de uma ideia e com alma de vencedor



Jô, símbolo do hepta do Timão em Itaquera (foto: Luis Moura / WPP)

Há dez anos, o Corinthians vivia o momento mais vergonhoso de sua história, com o rebaixamento para a Série B. Entre 2007  a 2017, o título da Segundona, símbolo de uma reconstrução, foi o primeiro de uma coleção aumentada nesta semana com o terceiro Brasileirão no período. Desde o retorno à Primeira Divisão, em 2009, o Timão só passou em branco em três anos: 2010, 2014 e 2016. Ainda assim, esteve no topo da tabela do principal campeonato nacional em dois deles (só fracassou completamente em 16).

Brasileirão (três), Paulistão (três), Copa do Brasil, Libertadores, Mundial e Recopa são as conquistas do pós-queda. Dez títulos em dez anos. Ninguém ganhou mais no Brasil, em quantidade e qualidade. O momento da supremacia corintiana se estende para o século, com 15 títulos desde 2001.

O Corinthians não é exemplo administrativo nos últimos anos. Foi campeão muitas vezes, inclusive, atrasando pagamentos. O próprio presidente confirmou durante a campanha do hepta que há pendências financeiras com jogadores. Há quem aposte que a tal conta irá chegar, ainda mais com um estádio novo que só aumentou dívidas e não rende um real em bilheteria nos cofres do clube atualmente. Por enquanto, títulos ofuscam os problemas. E o que explica tamanho sucesso dentro de campo?

O fato é que, após o rebaixamento, os vários times que vestiram a camisa do Corinthians estiveram sempre conectados com uma ideia. Ideia esta abraçada pela torcida. O departamento de futebol foi reconstruído com um trabalho de campo que prioriza o sistema defensivo na busca por resultados. Começou com Mano Menezes, seguiu com Tite, voltou com Mano, voltou com Tite e mais uma vez alcança objetivos com Fábio Carille, pupilo de ambos. O Timão saiu pra valer dos trilhos nos últimos anos em um semestre, não por acaso, quando rompeu com isso no segundo semestre de 2016 (fez escolhas difíceis de entender por Oswaldo de Oliveira e Cristóvão Borges). Sem querer querendo, deu a chance que Carille esperava no início de 2017 e a mentalidade foi retomada. Os reforços se encaixam com mais facilidade, nomes sem grife fazem a engrenagem funcionar dentro das quatro linhas.

O Corinthians aprendeu a vencer como nunca em sua história. E gostou. O torcedor não se importa em vencer o Avaí por 1 a 0 em Itaquera com futebol nada plástico. Uma ideia foi consolidada. Pressão sempre existirá num clube deste tamanho em momentos turbulentos, mas lidar com ela é mais fácil quando se está acostumado a ganhar. O hepta correu riscos, sim, de se tornar um fracasso sem precedentes. Foi quando mais de 30 mil torcedores encheram a Arena num treino antes do clássico contra o Palmeiras, o maior rival que ameaçava a conquista. Momento marcante. A torcida evitou que o time entrasse num buraco que, naquele momento, seria difícil de sair. Tem muito a ver com um clube que, há anos, apesar de tropeços e eliminações caseiras, faz valer, e muito, seu mando de campo. Quem vai encarar o Corinthians em Itaquera sabe que não será fácil. Como não era fácil no Pacaembu.

O clube venceu o Dérbi com cara de final, e voltou a fechar-se. Fechada como tem sido as defesas corintianas ao longo dos anos. Pela terceira vez na década, o título brasileiro virá com o time menos vazado. É a ideia corintiana para vencer. Com momentos de futebol mais bem jogado, como em 2015 (com melhor ataque), e outros mais pragmáticos. Há uma alma vencedora, que leva a uma indiscutível supremacia.



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