A coragem do São Paulo do corajoso Ceni



Rogério Ceni à frente do São Paulo no Morumbi (foto: Mauricio Rummens)

Rogério Ceni está começando uma carreira como treinador. Abdicar de uma aposentadoria cercada de regalias para se tornar técnico já é algo que demonstra imensa coragem. Uma coragem única, pois o que estamos vendo no São Paulo é algo inédito no Brasil: nunca um ídolo de um clube só, com 1237 jogos, assumiu este mesmo clube um ano após se aposentar. Não vale nenhuma comparação com outros tantos ídolos que treinaram as equipes pelas quais brilharam. É diferente, é único, e só o tempo trará respostas sobre bônus e ônus do novo desafio de Ceni, que está apenas começando.

E o Tricolor de Rogério larga em 2017 corajoso como seu comandante. Seria cômodo para alguém iniciando uma carreira apostar no pragmatismo, num time fechado em busca de resultados que lhe deem respaldo. Ceni escolheu arriscar-se, até porque conta com o irrestrito apoio da arquibancada que conquistou como jogador vitorioso. São apenas cinco rodadas do Paulistão, apenas indicativos do que o novo São Paulo pode ser. Mas há indicativos de um projeto de equipe que trata bem a bola e ataca.

O Tricolor é disparado o time com mais finalizações certas no campeonato: 40 (78 somando também as erradas). É também a equipe que mais desarmou até agora, o que mostra a sede dos atletas por retomar a bola a todo instante. O São Paulo começa o Paulistão com o melhor ataque (15 gols), e também a segunda pior defesa (11). Criar, no entanto, está sendo mais importante para Ceni do que apenas destruir. Mostra coragem. Em campo, há um time corajoso que saiu atrás no placar em quatro dos cinco jogos e buscou a reação sem desespero. Perdeu apenas para o Osasco Audax, na estreia.

O time busca triangulações, os laterais jogam abertos. Será preciso, sim, acertar a defesa – não fosse um “pênalti amigo” contra o São Bento, pior equipe do Paulistão, o São Paulo amargaria um empate em casa. Mas a opção foi por começar a montar um time que busque a bola e seja agressivo, mesmo que pague o preço ainda por um sistema defensivo problemático. É melhor começar assim, não? Não há nenhuma garantia de que o trabalho dará certo, mas ter coragem é uma grande qualidade para um comandante e um time. Ainda mais um time que sofreu tanto pela falta de brio nos últimos anos.

Ceni tem tudo para vingar como treinador. Em 2017, após tempos turbulentos do clube, ser campeão nem precisa (e nem deve) ser a prioridade número um. É preciso brigar, competir, vencer clássicos. Ser corajoso para recolocar o São Paulo no topo, objetivo final que pode demorar mais tempo.

“Há dois tipos de técnicos: os que têm coragem e os que não têm”, é um dos lemas que Rogério Ceni carrega no início da nova carreira. Aprendeu com Juan Manuel Lillo, auxiliar do consagrado Jorge Sampaoli. O são-paulino mostra ter plena convicção de qual lado pretende ficar. E, de novo: se vai dar mesmo certo é outra conversa…



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