Ceni não entendeu nem o são-paulino



Rogério Ceni vive turbulência no Tricolor (foto: Marco Galvão)

O São Paulo não conseguiu fazer mais do que um gol em 180 minutos contra o nanico Defensa y Justicia (ARG). Conseguiu acertar quatro (QUATRO!) bolas no gol, em dois jogos, contra uma equipe que saiu da Argentina para jogar um jogo internacional pela primeira vez em 82 anos de sua modesta história. Foram duas (DUAS!) finalizações corretas no Morumbi, na vexatória eliminação de quinta-feira. O humilde adversário acertou oito vezes o gol, o dobro dos brasileiros, nas duas partidas. Pode-se notar logo de cara que usar os números para se defender não seria uma boa. Não neste caso. Não quando um clube tricampeão mundial sai eliminado dentro de casa na primeira fase da Copa Sul-Americana.

Pois Ceni, em sua catastrófica entrevista, negou o vexame. Usou números, de maneira torta, para justificar um trabalho, que tem, sim, suas qualidades. Estranhamente, o Mito, além de não ter dimensionado o que aconteceu no campo, não entendeu as expectativas do próprio são-paulino. O torcedor, que Rogério conhece tão bem, esperava ouvir alguém sentido com uma eliminação vexatória. Mas ouviu alguém desconectado com a realidade. O ídolo, hoje técnico, não precisaria gritar, espernear, nada disso. Bastaria reconhecer uma noite trágica, pedir desculpas ao torcedor, sem caça às bruxas. E seguir suas convicções, com mais trabalho e cobranças internas no CT da Barra Funda.

O são-paulino conseguiu se irritar ainda mais ao ouvir Rogério Ceni explicar uma eliminação que por si só já deixou qualquer torcedor revoltado. Não reconheceu um ídolo ali sentado na sala de imprensa do Morumbi. Falar do aproveitamento total da temporada naquele momento é menosprezar a inteligência do torcedor mais burro. Quer números? O São Paulo tem apenas o 12º aproveitamento (59,42%) entre os 20 clubes da Série A em 2017. É o quinto pior mandante, tem uma das defesas mais vazadas do Brasil. Ceni fez malabarismo com os números num momento em que tudo se esperava era um pedido de desculpas por um vexame.

Vi tricolores apaixonados enfurecidos com a postura de seu ídolo. Com justiça, ou Justicia. Não dava para usar desempenho para se defender após um confronto mata-mata em que faltou, muito mais do que resultado, justamente desempenho. A atuação do São Paulo na quinta-feira foi ridícula, e isso passa também por uma péssima noite de seus jogadores, que têm grande parcela de responsabilidade. Ceni não foi capaz ali de enxergar nem a pior atuação de 2017 à sua frente. O andamento da entrevista coletiva foi tão ou mais traumático do que o desenrolar de um jogo em que o Tricolor não conseguia chegar ao gol. Não houve nem o tradicional “desespero” dos acréscimos em busca da salvação.

Foi preocupante a dificuldade de alguém tão inteligente como Ceni para entender algo tão claro como água: o São Paulo foi um desastre e fechou uma série de três eliminações em menos de um mês com um vexame. Com muito mais erros do que acertos. Ou não teria sido eliminado, jogando abaixo de seus adversários nas três competições. Preocupante. Um bom papel no Brasileirão, nas únicas 38 partidas que restam em 2017, é uma obrigação no Morumbi.



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