Da Arena Corinthians ao Allianz Parque: o ‘efeito novidade’ não passa



Allianz Parque sempre cheio (foto: divulgação)

Passada a primeira metade da temporada, Palmeiras e Corinthians são líderes em público pelo terceiro ano seguido no Brasil. Já fica claro que o trabalho dos dois clubes com seus torcedores vai muito além de um “efeito novidade”, justificativa que muitos deram para as arenas cheias nos últimos anos. O Timão chega a 105 jogos em Itaquera com média de 31,4 mil pagantes por jogo e vendeu mais de 30 mil bilhetes antecipados para um jogo contra o Bahia, numa quinta às 19h30. O Verdão já atuou 81 vezes no Allianz Parque com média de 30,5 mil e colocou quase 30 mil num jogo de quarta contra o Atlético-GO: 13º x 19º colocados do Brasileirão. Há uma cultura sendo formada nas duas torcidas de que o importante é sair de casa para ver seu time jogar, tanto faz campeonato ou adversário.

É claro que sempre haverá partidas com mais ou menos apelo. Mas até o conceito de público ruim mudou na Arena Corinthians e no Allianz Parque. O Palmeiras nunca colocou menos do que 15.037 pessoas em um jogo, público de Verdão 0x2 Coritiba na reta final do Brasileirão-2015, quando o clube já não tinha objetivos na competição. O menor público de Itaquera é de 11.708, com o Corinthians sendo contestado no início do Paulistão deste ano, contra o Novorizontino (1×0). 15 mil pagantes é a média de público aproximada de Botafogo, Cruzeiro e Atlético-MG em 2017, por exemplo. 11 mil é o que Santos e Vasco levam em média jogando em casa neste ano. Os públicos ruins de Palmeiras e Corinthians são médias de outros grandes.

Arena Corinthians sempre cheia (foto: divulgação)

O Verdão tem levado 31,3 mil por jogo em 2017, contra 29,5 mil do Timão. Foram números similares em 2016 e também e 2015, quando a liderança foi do Corinthians, clube que começou antes um bom trabalho de fidelização de seu sócio-torcedor. O sistema de “rating”, que dá privilégios aos mais assíduos na compra de ingressos, já levava bons públicos aos jogos do Timão no Pacaembu, antes mesmo da inauguração da Arena Corinthians, em maio de 2014. O Palmeiras acertou seu programa quando abriu o Allianz Parque, no fim do mesmo ano, e tem hoje o maior número de associados do país: 122 mil. O rival conta com 110 mil adeptos, em quinto, atrás de Grêmio, São Paulo e Internacional.

Não é barato ver jogos nas arenas e houve, sim, uma elitização do público, que é basicamente formado por sócios-torcedores. Quem não pode pagar um plano fica excluído. Seria louvável que existissem setores mais populares nos dois estádios, mas o post não tem como objetivo debater esta outra (importante) questão. O fato é que Palmeiras e Corinthians enchem e arrecadam muito com seus estádios há anos. O São Paulo, com preços mais baixos e um estádio antigo e maior, mantém neste ano uma média importante de 28,4 mil pagantes. Arrecadou R$ 10,5 milhões, cerca de um terço do Palmeiras (R$ 30,9 milhões) e menos da metade do que o Corinthians (R$ 24 milhões). Não adianta ser ingênuo. É preciso pagar contas e um estádio melhor se torna também uma fonte de renda maior.

O Palmeiras teve renda líquida de R$ 40,5 milhões com o Allianz Parque em 2016. Vale mais do que um patrocínio master de camisa. O Corinthians recebeu, livre de despesas operacionais, R$ 32,5 milhões no ano passado. O Verdão fica com toda bilheteria por conta do acordo com a WTorre, enquanto que o Timão destina a verba para um fundo a fim de quitar as dívidas da construção da Arena. É um problemão a ser resolvido (também tema para outra conversa).

Sempre se cobrou no Brasil que os clubes fizessem de suas torcidas grandes fontes de renda. Sempre foi um desejo de todos ver estádios cheios como um rotina, como acontece com grandes na Europa. Palmeiras e Corinthians conseguiram. O desafio é manter times competitivos que não deixem a máquina parar de funcionar, por mais que turbulências no campo aconteçam e sejam inevitáveis.



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