Allianz Parque x Velho Palestra: um salto absurdo nas contas



O Palmeiras foi obrigado a sair do Allianz Parque pela primeira vez  neste ano nas quartas de final do Paulistão, situação que irá se repetir caso a equipe chegue à final com o mando do segundo jogo. Foram 73 jogos na arena desde a sua inauguração, em novembro de 2014. Outros oito não puderam ser realizados no estádio neste período, por conta de eventos. Faz parte do acordo com a WTorre, que fez um negócio e não uma doação ao levantar o Allianz Parque. Vale a pena? Os números podem responder melhor.

O último ano “cheio” do velho Palestra Itália foi em 2009, ano em que o Palmeiras disputou a Libertadores e brigou pelo título brasileiro até a última rodada. Foram 32 partidas no estádio, com média de público de 17.389 pagantes. A renda bruta total do ano foi de R$ 19.615.591,69. O maior público foi Palmeiras 0x2 Flamengo, pelo Brasileirão: 26.462. A melhor renda: R$ 1.412.320,00, em Palmeiras 2×1 Grêmio Barueri, na reestreia de Vagner Love pelo Verdão. O Palmeiras não tinha de sair eventualmente de casa. Também não tinha uma enorme fonte de receitas…

Não havia um plano de sócio-torcedor consolidado e os preços dos ingressos eram menores. O clube mudou economicamente de patamar com o Allianz Parque. O Brasileirão de 2017 nem começou e apenas um jogo da Libertadores foi disputado em casa neste ano. A renda bruta na arena já bateu, em março, R$ 12,6 milhões, o que corresponde a 64,2% do total arrecadado no último “ano cheio” do velho Palestra. Corrigindo a renda total de 2009 pela inflação no período (58,8%), os R$ 19,6 milhões passariam a R$ 30,9 milhões brutos hoje, valor ainda muito abaixo do que rende a nova arena. A ver.

Em termos de disputa esportiva, 2016 foi parecido com 2009 para o Palmeiras. Em termos financeiros, dois mundos muito distantes. Em 27 partidas no Allianz no ano passado, a renda bruta total bateu R$ 56,1 milhões (R$ 40,5 milhões líquidos na conta do clube). Média de 31.690 pagantes por jogo. O primeiro “ano cheio” da arena, em 2015, foi ainda melhor: 36 partidas, R$ 75,2 milhões brutos (R$ 50 milhões líquidos) e média de 29.508 pagantes. O estádio tem uma arrecadação total de R$ 151,9 milhões, apenas com bilheteria, em menos de dois anos e meio de funcionamento.

O acordo feito com a WTorre, costurado pelo ex-presidente Luiz Gonzaga Belluzzo, tem se mostrado até agora excelente para o Palmeiras, que pega 100% da bilheteria e ainda conta com outras receitas: a venda de naming rights, por exemplo, totalizará apenas ao clube cerca de R$ 37,5 milhões ao fim do contrato de 20 anos entre construtora e Allianz (5% do valor pago fica com o Palmeiras nos primeiros cinco anos, 10% nos cinco seguintes…). O velho Palestra jamais teria tal receita. O acordo entre clube de WTorre é de 30 anos.

Ter de sair do Allianz Parque eventualmente faz parte do negócio. Um negócio que tem sido muito bom e que nenhum outro clube brasileiro conseguiu fazer. O Palmeiras já deu duas voltas olímpicas em sua arena. Não dói ir até o Pacaembu de vez em quando, mesmo que isso aconteça em uma decisão…

 



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