A covardia de um São Paulo sem rumo



Ceni e Leco com o elenco do São Paulo (Rubens Chiri)

Escrevi um post em 23 de fevereiro destacando a coragem de Rogério Ceni em encarar em tão pouco tempo após sua aposentadoria o desafio de ser treinador do São Paulo. Ceni foi corajoso, sim, nos seis meses em que esteve à frente de um clube sem rumo. Errou bastante, foi um fracasso em termos de resultados, mas a decisão de interromper o trabalho em julho foi covarde. Dorival Júnior, novo treinador do Tricolor, começará o 14º trabalho na era “pós-Tri”, desde a saída de Muricy Ramalho (2009), que neste período de vacas magras também retornou, sem sucesso, ao clube. TREZE trabalhos começaram e naufragaram em oito anos: média de 7 meses para cada um. Uma loucura.

O comando técnico muda a toda hora, o time vive em constante mudança, a diretoria de futebol muda e quem está sentado na cadeira da presidência não sabe o que quer. Denis; Bruno, Maicon, Rodrigo Caio e Mena; João Schmidt (Daniel), Thiago Mendes, Wesley (Hudson), Ytalo (Alan Kardec) e Michel Bastos; Calleri foi a escalação do São Paulo no jogo de ida da semifinal da Libertadores, em 6 de julho de 2016. Apenas um é titular hoje: Rodrigo Caio, que pode ser negociado em breve. Apenas quatro dos que foram a campo estão no São Paulo hoje: Denis, Bruno, Rodrigo e Wesley. Bauza, Ricardo Gomes e Ceni passaram pelo banco de reservas no período. De quem é a culpa por tantos vexames?

Óbvio que Rogério tem a sua parcela pelas eliminações, uma delas patética, para o Defensa y Justicia (ARG), e pelo início ruim no Brasileirão. Brigou com a realidade em algumas entrevistas coletivas, começou o ano com um ataque envolvente e uma defesa fraca, equilibrou as coisas, e sai num momento ruim do time, de volta à zona do rebaixamento após quatro anos. É a 21ª vez na história dos pontos corridos que o São Paulo se vê na faixa da degola. Algo raro para o clube. O suficiente para a covarde diretoria dar um pé na bunda de seu maior ídolo, que há poucos meses foi trunfo para Leco ter a torcida ao seu lado e um clima favorável para vencer a eleição de abril.

Há três dias (TRÊS DIAS), o presidente são-paulino deu esta declaração ao jornalista Marcelo Hazan, do “GE.com”: “Os resultados nesse primeiro momento não vieram, mas acreditamos muito no que está acontecendo e achamos que temos de prestigiar e dar toda condição para isso se resolver”. A palavra de Leco não teve validade. Mais do mesmo na cartolagem brasileira. Perdido.

“Há dois tipos de técnicos: os que têm coragem e os que não têm”, é um dos lemas que Rogério Ceni carrega no início da nova carreira. Aprendeu com Juan Manuel Lillo, auxiliar do consagrado Jorge Sampaoli. No São Paulo que ganhou apenas um título, de segunda linha, em nove anos, há apenas um tipo de dirigente: os que vivem desconectados num fantástico mundo soberano. Tão fora da realidade quanto a frase que saiu outro dia da boca de Pinotti, gabando-se do “clube vitrine” e cutucando o Corinthians, rival que enfileira taças e coleciona bailes contra o São Paulo no campo.

O clube apostou em Ceni, ciente de que era um iniciante na carreira de treinador. Não tomou a decisão por coragem, esta que move o treinador. Mas sim por oportunismo. O mesmo São Paulo se livra do ídolo, por covardia. Apavorou-se com a zona da degola. Chutou a bunda do ídolo. Que o competente Dorival Júnior tenho sorte para trabalhar em um clube que não sabe o que quer. Terá como patrão o presidente que soltou a brilhante declaração nesta segunda-feira:

“A diretoria não tem nenhuma responsabilidade direta (queda de Ceni). A diretoria teve coragem em contratá-lo, sendo um novato no cargo”. Uma mistura de cinismo com alienação. Soberano!



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