Coluna de domingo: “Terá o Cuiabá o mesmo destino de Cruzeiro e Galo?”



Vez por outra, o futebol brasileiro é surpreendido pela ascensão de um clube aqui e ali. São campanhas bem sucedidas em campeonatos estaduais, às vezes até em divisões nacionais de acesso. Mais surpreendente ainda é quando essa ascensão acontece fora do eixo Rio-São Paulo, de Minas ou do Rio Grande do Sul.

Nos últimos anos, o caso mais exemplar sem dúvidas foi o da Chapecoense. O Verdão do Oeste catarinense, como é chamado por lá, teve uma trajetória fulminante da Série D à Série A, mudando de faixa em anos consecutivos. O clube sobreviveu à tragédia aérea da Colômbia e só no ano passado, pela primeira vez em sua história de quase 50 anos, experimentou o rebaixamento. Se as coisas continuarem no ritmo atual – a Chape está no G4 da Segundona – e tudo não acontecer um tropeço inesperado, ano que vem o time deve estar de volta à elite.

 

O Cuiabá é ainda mais novo do que a Chapecoense, foi fundado em 2001, mal atingiu à maioridade. Sua história é curiosa: o clube foi criado, como uma escolinha de futebol, pelo ex-jogador Gaúcho que nos anos 80 e 90 teve passagem por grandes times como o Flamengo, o Palmeiras, o Grêmio, o Atlético-MG e o Fluminense, além de rápidas passagens pela Argentina e Itália. A profissionalização veio em 2003 e desde então o clube conquistou por nove vezes o campeonato mato-grossense, duas vezes a Copa Verde e já chegou às oitavas de final da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana. Teve um período de inatividade entre 2007 e 2008 e hoje pertence a uma empresa.

Onde joga o Cuiabá? Na Arena Pantanal. O estádio da Copa 2014, que junto com a Arena da Amazônia, em Manaus, é o que tinha a maior possibilidade de se tornar um elefante branco, pode ter encontrado uma saída para evitar sua ociosidade total. Quem sabe – talvez haja uma excessiva dose de otimismo nisso – não vai surgir por ali uma relação tão profícua como foi a de Cruzeiro e Atlético com o Mineirão. Sim, os hoje grandes clubes mineiros eram apenas times provincianos com pouca ou nenhuma expressão nacional até que o Gigante da Pampulha foi inaugurado em 1965. O estádio, o quinto maior do país, deu uma outra vida ao futebol mineiro.

Com a pandemia, os jogos sem público, é impossível medir o impacto que a boa campanha do Cuiabá e uma eventual consolidação do time, com a possibilidade de ascensão à Série A, está gerando no torcedor de Mato Grosso. Essa parte vai ficar para depois. Mas o potencial de crescimento é real. E, administrado no regime empresarial, o clube dourado sabe muito bem onde quer chegar.



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