O São Paulo preso ao passado. Mais uma vez.



O São Paulo é o clube grande paulista que há mais tempo não ganha um título. Desde 2012, quando venceu a Copa Sulamericana, não entra um item novo na sala de troféus do Morumbi. Se você for radical e considerar a Sulamericana um título de segundo escalão, a seca aumenta e vem desde 2008, ano da conquista do tricampeonato Brasileiro. 

E é justamente nesse tricampeonato, que consagrou uma era vitoriosa, começando em 2005 com os títulos do Paulistão, da Libertadores e do Mundial de Clubes, que mora o grande perigo do clube, não só agora em 2021, mas sim de algo que já é recorrentemente prejudicial: o profundo apego a pessoas que conquistaram no passado e uma ilusão de que elas e suas ideias antigas é que vão resolver os problemas do presente. 

O presidente Júlio Casares trouxe de volta ao São Paulo três figuras marcantes da última era de títulos do clube: Muricy Ramalho, Milton Cruz e o zagueiro Miranda. E ainda está no elenco o meia Hernanes, que não consegue minimamente ter uma sequência de jogos. Nada leva a crer que esses personagens repetirão o desempenho em suas atividades que tiveram há mais de dez anos. Quantos jogadores voltaram pelo que fizeram no passado e nada entregaram no presente?

Acompanhando a política e os movimentos que o São Paulo faz existe aqui um padrão de comportamento. Por exemplo, durante anos os dirigentes tentaram repetir os métodos internos do clube de quando o esquadrão de Telê Santana venceu tudo. Demorou para surgir uma nova ideia e perfil de trabalho para culminar em 2005 com o início de novas conquistas, com jogadores como Fabão, Danilo, Josué, Mineiro, Grafite e etc. 

Pudemos ver depois, também, a desastrosa volta à presidência de Carlos Miguel Aidar, que havia sido extremamente bem sucedido no mandato anterior. Ou se falarmos de estrutura, o São Paulo se gabou de feitos do passado e pouco a pouco foi sendo igualado e até superado pelos rivais: na década de 80, o clube foi vanguarda e revolucionou a parte médica do futebol. Na sequência veio o moderno CT da Barra Funda. O Morumbi era o único palco para grandes jogos e grandes eventos da cidade. Depois, o CT de Cotia para as categorias de base. Enfim, o São Paulo se auto-intitulou “Soberano” mas deitou em berço esplêndido. Há muito tempo não há nada novo no “Modus Operandi” tricolor…

Vitórias no presente são construídas com novas ideias, modernidade, arrojo, vontade de fazer diferente. Júlio Casares é extremamente bem intencionado. Mas se continuar buscando fórmulas de ontem pode ser que o São Paulo continue sem vencer hoje.



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