Contratar com coerência - Blog do Capretz

Contratar com coerência



É verdade que as janelas de transferências tem sido cada vez menos intensas aqui no Brasil.

Lembro que há seis, sete, oito anos, equipes eram devastadas em julho e janeiro no nosso futebol. Hoje, pela nossa crise técnica e também pela interminável crise mundial já não é bem assim.

Mas apesar disso sempre surgem especulações. E cada vez mais eu fico abismado com o jogo de interesses: dirigentes querem jogar pra torcida e se livrar de responsabilidades e os empresários ganhar sempre mais.

Ok, os empresários estão na deles. Negociar é uma de suas atribuições. Assim como entender de futebol deveria ser a premissa básica de quem comanda um orçamento gordo como é o de um clube de futebol. Só que isso não acontece.

Por exemplo, o Palmeiras contratou Lucas Lima antes de definir quem seria o seu treinador para 2018. Como que você traz um jogador sem saber qual será o modelo de jogo do seu time? Gasta-se uma fortuna em um atleta pelo que ele fez no passado e por seu capital simbólico. E não por entender que suas características caiam como uma luva nas ideias do seu time.

Todo jogador, por melhor que seja, depende de um sistema coletivo para render. E se não houver uma sintonia entre como se deseja jogar e o que esse jogador pode oferecer vem a frustração. O próprio Palmeiras sofreu isso com Borja, Guerra e Felipe Mello. Mas parece não aprender a lição.

E a discussão em torno do nome de Ricardo Goulart? Não quero nem entrar nas questões técnicas, táticas e físicas do futebol chinês. Mas sua contratação com salários astronômicos parece ser a salvação de vários times.  Só que algum dirigente analisou se dentro dos conceitos de ocupação de espaço da sua equipe, Goulart poderia ajudar mais com suas virtudes jogando pelo lado do campo, como um falso 9 ou pelo meio vindo de trás?

Me espanta o próprio Flamengo, que contratou errado demais e sem critério neste ano, pensar em Ricardo Goulart só porque tem condições de pagar. O fato de Everton Ribeiro ter ficado no banco de reservas na final da Copa Sulamericana não diz nada?!

Corinthians e Grêmio foram os times destaques do Brasil em 2017 com contratações assertivas e privilegiando o coletivo e não o individual. Nem sempre contratar os melhores jogadores resulta em um bom time. Então, torcedor, não se empolgue muito com contratação e muito menos com especulação. Volte o seu olhar para o coletivo e não para o individual. É muito melhor comemorar título na arquibancada do que contratação em aeroporto.



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